domingo, 31 de julho de 2011

A Identidade Bourne


A Identidade Bourne (The Bourne Identity, EUA / Alemanha / República Tcheca, 2002) – Nota 9
Direção – Doug Liman
Elenco – Matt Damon, Franka Potente, Chris Cooper, Clive Owen, Brian Cox, Adewale Akinnuoye Agbaje, Gabriel Mann, Walton Goggins, Josh Hamilton, Julia Stiles.

Um desconhecido (Matt Damon) acorda na costa do Mar Mediterrâneo após ter sido baleado e não se lembra quem é ou quem o atacou. Com ajuda de um médico, descobre um chip implantado em seu corpo e um número de conta num banco da Suiça. O sujeito vai até o banco e descobre que a conta está no nome de Jason Bourne, que seria ele, além de dinheiro e diversos passaportes com nomes diferentes indicando que ele vive em Paris. A questão é que logo em seguida ele começa ser perseguido e por acaso cruza o caminho com Marie (Frankie Potente), que acaba praticamente sendo obrigada a ajudá-lo a descobrir seu passado. 

Este ótimo thriller baseado num livro de Robert Ludlum deu uma guinada num gênero em que a maioria dos filmes abusava dos efeitos especiais. Aqui o diretor Liman filma a maioria das cenas de ação com o próprio astro Matt Damon dando ênfase as lutas e perseguições que lembram os longas dos anos setenta, onde o roteiro era tão importante quanto as sequências de ação. 

O resultado foi um grande sucesso que gerou duas continuações tão boas quanto o original, transformou Matt Damon em astro de verdade e até mesmo influenciou uma mudança no estilo dos filmes de James Bond, que por sinal são semelhantes a série Bourne também nas locações por vários países.

sábado, 30 de julho de 2011

Olho por Olho & Medidas Desesperadas



Olho por Olho (Eye for an Eye, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – John Schlesinger
Elenco – Sally Field, Ed Harris, Kiefer Sutherland, Joe Mantegna, Beverly D’Angelo, Charlayne Woodard, Philip Baker Hall, Keith David, Alexandra Kyle.

Karen McCann (Sally Field) vive feliz com o marido Mack (Ed Harris) e suas duas filhas, porém sua vida vira de ponta cabeça quando num dia enquanto conversa pelo celular com a filha mais velha que está em casa, esta diz que alguém invadiu a residência antes de silenciar. Desesperada, Karen volta para a casa e encontra a filha violentada e morta. Logo a polícia identifica como assassino o psicopata Robert Doob (Kiefer Sutherland), mas por um detalhe técnico ele acaba absolvido. Totalmente inconformada, Karen resolve aprender artes marciais, consegue uma arma e passa a vigiar o assassino, em busca de vingança, o que afetará totalmente sua vida. 

O filme joga para o espectador a pergunta, até que ponto vale a pena a vingança? Sendo curioso ver a franzina Sally Field no papel da mãe vingadora. Não é dos melhores filmes de Schlesinger, mas ainda vale pelo bom elenco. 

Medidas Desesperadas (Desperate Measures, EUA, 1998) – Nota 5
Direção – Barbet Schroeder
Elenco – Michael Keaton, Andy Garcia, Brian Cox, Marcia Gay Harden, Erik King, Joseph Cross, Efrain Figueroa, Richard Riehle, Tracey Walter.

O policial Frank Conner (Andy Garcia) tem um filho (Joseph Cross) com leucemia e encontra como único doador compatível o assassino condenado Peter McCabe (um exagerado Michael Keaton) e faz de tudo para conseguir que o bandido aceite ser o doador sem pensar nas conseqüências. O assassino vê a situação como uma chance de fugir. 

Esta história inverossímil tem um roteiro absurdo cheio de furos, que nem mesmo bons atores como Andy Garcia e Brian Cox conseguem salvar. Uma pisada na bola do diretor Barbet Schroeder, que fez bons filmes como “Cálculo Mortal” e “O Reverso da Fortuna”.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Gamer


Gamer (Gamer, EUA, 2009) – Nota 5,5
Direção – Mark Neveldine & Brian Taylor
Elenco – Gerard Butler, Amber Valletta, Michael C. Hall, Kyra Sedgwick, Logan Lerman, Alison Lohman, Terry Crews, Ramsey Moore, Chris “Ludracris” Bridges, Aaron Yoo, Jonathan Chase, Michael Weston, John de Lancie, Millo Ventimiglia, Zoe Bell, John Leguizamo, Noel Gugliemi, Keith David.

Num futuro próximo, Ken Castle (Michael C. Hall) ficou milionário ao criar um ambiente virtual onde as pessoas podem se conectar ao cérebro de atores e viver do modo que desejar. Os atores tiveram um chip implantado no cérebro através da nanotecnologia. Usando o mesmo método, Castle inventou um novo jogo onde os participantes são detentos condenados a morte. Estes receberam o chip e são comandados por jogadores, sendo que aquele que sobreviver a trinta batalhas, ganhará a liberdade. John Tillman (Gerard Butler) conhecido como Kable dentro do jogo, está há três batalhas da liberdade, porém este fato não agrada a Castle, que guarda um segredo ligado a Tillman. 

A dupla de diretores roteiristas Neveldine/Taylor estreou com o absurdo e divertido “Adrenalina” com Jason Statham e aqui nesta ficção exageram na dose. A história é um misto de filmes como “The Running Man – O Sobrevivente” que Schwarzenegger estrelou nos anos oitenta, com o recente “Corrida Mortal”, porém é bem mais fraco. 

A quantidade de cortes é absurda, provavelmente para passar a sensação de ser um game, mas fica difícil acompanhar, os olhos cansam mesmo para quem assiste na tv, como foi o meu caso, imagino a sensação no cinema. Este ritmo louco é até mais acelerado que os longas de Michael Bay. 

Outro ponto fraco é a grande quantidade de personagens que passa quase voando pela tela, gente como John Leguizamo e Alison Lohman tem papéis pequenos demais e que poderiam ter uma importância maior. Infelizmente o resultado é um desperdício de efeitos especiais. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Se Beber, Não Case!


Se Beber, Não Case! (The Hangover, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Todd Phillips
Elenco – Bradley Cooper, Ed Helms, Zack Galifianakis, Justin Bartha, Heather Graham, Sasha Barrese, Jeffrey Tambor, Ken Jeong, Rachael Harris, Mike Tyson, Mike Epps, Jernard Burks.

Quando Doug (Justin Bartha) está para se casar, três amigos armam uma despedida de solteiro em Las Vegas. Os amigos são Phil (Bradley Cooper) um professor, o dentista Stu (Ed Helms) e o futuro cunhado de Doug, o estranho Alan (Zack Galifianakis). 

O quarteto começa a noite numa suite em Las Vegas prometendo muito festa e diversão, mas logo o filme pula para a manhã seguinte quandos os amigos acordam em meio a destruição e uma grande ressaca. A suíte está detonada, eles não se lembram do que fizeram na noite passada e para piorar, Doug desapareceu. Este é o início de uma engraçada jornada para descobrirem o que aconteceu naquela noite e encontrarem o amigo. 

Fica fácil entender o sucesso de bilheteria do longa, que abusa de piadas politicamente incorretas sobre sexo e bebidas, mas tem uma história engraçada. O diretor utiliza bem toda a cafonice de Las Vegas como cenário e principalmente a química entre o trio principal que funciona perfeitamente. É um tipo de comédia que vai além dos adolescentes, pois coloca adultos que deveriam ser maduros em situações constrangedoras causadas pela bebida. Vale destacar ainda a pequena e engraçada participação de Mike Tyson. 

Para quem gosta de comparações, o filme lembra bastante “A Última Festa de Solteiro”, clássico do gênero dos anos oitenta, estrelado por um Tom Hanks ainda bem jovem. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Hora do Rush 1, 2 & 3


A Hora do Rush (Rush Hour, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – Brett Ratner
Elenco – Jackie Chan, Chris Tucker, Tom Wilkinson, Chris Penn, Elizabeth Peña, Tzi Ma, Mark Rolston, Rex Linn, Philip Baker Hall, Ken Leung.

Na última noite antes de Hong Kong voltar a fazer parte do território chinês, o inspetor Lee (Jackie Chan) impede que um lote de pedras preciosas fossem roubadas do país, ajudando assim seu amigo, o embaixador Han (Tzi Ma). Dois anos depois, a filha do embaixador é seqüestrada em Los Angeles e Lee é chamado pelo amigo para resgatar a garota, porém o FBI entra na jogada e indica o agente falastrão James Carter (Chris Tucker). O caminho dos dois policiais se cruzará na investigação. 

Mesmo sendo inferior aos trabalhos de Jackie Chan em Hong Kong, onde ele tem liberdade total para criar sequências de ação bem mais elaboradas, o filme é divertido e fez grande sucesso aproveitando as diferenças entre o falador Chris Tucker e o calado Jackie Chan. Destaque também para a presença do ótimo Tom Wilkinson.

A Hora do Rush 2 (Rush Hour 2, EUA / Hong Kong, 2001) – Nota 7
Direção – Brett Ratner
Elenco – Jackie Chan, Chris Tucker, John Lone, Alan King, Roselyn Sanchez, Zhang Ziyi, Harris Yulin, Jeremy Piven, Don Cheadle, Saul Rubinek, Maggie Q, Kenneth Tsang.

Nesta sequência os agentes Lee (Jackie Chan) e Carter (Chris Tucker) viajam de férias para Hong Kong, mas o passeio muda rapidamente quando dois agentes americanos são assassinados num atentado à bomba e o principal suspeito é Ricky Tan (John Lone), um poderoso mafioso que fora parceiro da pai de Lee na polícia e também suspeito pela morte deste. Lee e Carter tomam a frente da investigação que se tornará pessoal para o agente Lee. 

Novamente o diretor Ratner aposta na química e nas diferenças entre Chan e Tucker, principalmente nas trapalhadas do personagem de Tucker em relação ao cultura local, mas mesmo sendo divertido, o longa é inferior ao original e deixa um pouco a desejar em relação as cenas de ação, comparando com os trabalhos de Chan nos filmes produzidos por ele mesmo em Hong Kong. Com atrativo aqui temos as belas Roselyn Sanchez e Zhang Ziyi, a segunda também competente nas cenas de ação.

A Hora do Rush 3 (Rush Hour 3, EUA / Alemanha, 2007) – Nota 6
Direção – Brett Ratner
Elenco – Chris Tucker, Jackie Chan, Hiroyuki Sanada, Youki Kudoh, Max Von Sydow, Yvan Attal, Noémie Lenoir, Tzi Ma, Roman Polanski, Dana Ivey, Henry O.

No terceiro episódio os agentes Lee (Jackie Chan) e Carter (Chris Tucker) vão para Paris tentar proteger o embaixador Han (Tzi Man), amigo de Lee que está prestes a revelar a identidade de um grande mafioso chinês e por isso corre perigo. 

Desta vez as confusões dos dois detetives que não falam francês e precisam evitar uma conspiração é bem inferior aos dois outros longas. São poucas e fracas cenas de ação, além de um roteiro fraco também. 

Chan revelou em uma entrevista que não entende o tipo de piada que estas produções criam e que os filmes não seriam de agrado do seu público em Hong Kong. Disse ainda que aceitou fazer as sequências apenas pelo dinheiro, que o ajuda a bancar suas produções em Hong Kong e que até aceitaria fazer uma nova sequência, pensando novamente apenas na grana.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fatal


Fatal (Elegy, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Isabel Coixet
Elenco – Ben Kingsley, Penélope Cruz, Dennis Hopper, Patricia Clarkson, Peter Sarsgaard, Deborah Harry.

O professor David Kepesh (Ben Kingsley) passou toda a vida sem relacionamentos profundos, provavelmente por um fracassada experiência num casamento quando era ainda muito jovem. Deste relacionamento ele teve o filho Kenny (Peter Sarsgaard), com quem mantém um relacionamento conturbado e que o culpa por tê-lo abandonado com a mãe. 

Já na casa dos sessenta anos, o professor David ainda vive de utilizar sua inteligência e cultura para conquistar jovens alunas, mas a situação muda quando uma destas conquistas, a filha de cubanos Consuela Castillo (Penélope Cruz) se mostra uma pessoa segura e diferente das jovens deslumbradas. Logo nasce entre eles algo mais forte, que mexerá com as estruturas e a vida do velho professor. 

A diretora Isabel Coixet é especialista em dramas tristes e sensíveis como “Minha Vida Sem Mim” e aqui não foge a regra. Ela filma com tranqüilidade e num ritmo lento o bom roteiro do também diretor Nicholas Meyer (“O Dia Seguinte”), que se baseou num romance de Philip Roth e que toca em temas universais como velhice, amor, amizade e mortalidade. 

O casal principal tem boa atuação, com Ben Kingsley tendo novamente um ótimo desempenho e junto com a beleza e o talento de Penélope Cruz, passam veracidade no incomum relaciomento, com destaque também para os pequenos papéis dos coadjuvantes, todos personagens próximos da realidade, cheios de dúvidas e imperfeições. 

A falha maior está na tradução do título, que ao pé da letra seria “Elegia”, algo como uma poesia triste sobre a morte, diferente da palavra “Fatal” que geralmente é utilizada para vender filmes de suspense e terror. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sem Limites


Sem Limites (Limitless, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Neil Burger
Elenco – Bradley Cooper, Robert De Niro, Abbie Cornish, Andrew Howard, Anna Friel, Johnny Whitworth, Tomas Arana, Robert John Burke, Darren Goldstein, Patricia Kalember, Richard Bekins.

Eddie Morra (Bradley Cooper) é um sujeito perdido na vida. Há anos tenta ser escritor, mas não consegue sequer iniciar seu livro. Vivendo num apartamento decadente e sem dinheiro, acaba dispensado pela namorada Lindy (Abbie Cornish). Por acaso, ele cruza na rua com seu ex-cunhado (Johnny Whitworth), um pequeno traficante irmão de Melissa (Anna Friel), com quem Eddie fora casado rapidamente quando jovem. O rapaz oferece a Eddie um comprimido que diz fazer com que a pessoa passe a utilizar 100% do cérebro. Mesmo desconfiado, Eddie aceita o comprimido e resolve experimentar, descobrindo um novo mundo cheio de possibilidades, porém o preço a ser pago pode ser bem caro. 

O diretor Neil Burger (de “O Ilusionista” com Edward Norton) acerta novamente com este longa que fala sobre a ambição do ser humano por dinheiro e poder. O roteiro (mesmo com pequenos furos) é inteligente ao mostrar a jornada que Eddie percorrerá a partir do momento que sua mente se abre e ele começa a enxergar padrões onde as pessoas vêem apenas números e letras, abrindo todas as portas pelo caminho, mas também tendo de enfrentar traficantes violentos e executivos corruptos, outro típicos sujeitos que visam apenas dinheiro e poder. 

Os efeitos especiais que aceleram as imagens se casam perfeitamente com a velocidade com que o personagem de Bradley Cooper passa a viver após utilizar a droga. Temos ainda um pequena e importante participação de Robert De Niro que ajuda a aumentar a qualidade deste longa interessante e diferente, que merece ser visto. 

domingo, 24 de julho de 2011

Plata Quemada


Plata Quemada (Plata Quemada, Argentina / Espanha / Uruguai, 2000) – Nota 6
Direção – Marcelo Piñeyro
Elenco – Leonardo Sbaraglia, Eduardo Noriega, Pablo Echarri, Leticia Brédice, Ricardo Bartis, Hector Alterio, Dolores Fonzi.

Baseado num fato real ocorrido em 1965, o filme conta a história de um dupla de ladrões conhecidos como “Os Gêmeos” que junto com outro comparsa argentino, Fontana (Ricardo Bartis), roubaram um carro forte em Buenos Aires e fugiram com o dinheiro para Montevidéu no Uruguai, onde a situação acabou em tragédia. 

Além do assalto, o filme foca principalmente no relacionamento homossexual entre a dupla de assaltantes. São eles Nene (Leonardo Sbaraglia), o lado inteligente da dupla e Angel (Eduardo Noriega), jovem inseguro e um pouco infantil, que sente remorso por ser bandido e também homossexual. 

A primeira parte do longa que mostra o assalto e a fuga são interessantes, sempre destacando o complicado relacionamento da dupla. Já na segunda parte em Montevidéu quando a dupla e o terceiro assaltante se escondem na casa de um veterano ladrão (o ótimo Hector Alterio), o filme peca pelo exagero nas brigas entres os bandidos e na relação doentia de Nene e Angel, transformando a história num dramalhão com muita violência. 

Apesar de ter sido muito elogiado pela crítica, considero um filme exagerado. Prefiro outros dois trabalhos do diretor Piñeyro, o drama sobre a ditadura argentina “Kamchatka” com Ricardo Darin e o interessante “O Que Você Faria?” sobre um grupo de pessoas disputando uma vaga de emprego.

sábado, 23 de julho de 2011

I.D. - Fúria nas Arquibancadas (Filme) & Entre os Vândalos (Livro)


I.D. – Fúria nas Arquibancadas (I.D., Inglaterra / Alemanha, 1995) – Nota 8
Direção – Philip Davis
Elenco – Reece Dinsdale, Richard Graham, Claire Skinner, Sean Pertwee, Saskia Reeves.

No auge da violência entre as torcidas na Inglaterra durante os anos oitenta, a polícia infiltra alguns agentes entre os hooligans para identificar os líderes e efetuar prisões. Um dos agentes é John (Reece Dinsdale), um sujeito comum que ao mesmo tempo que vai ganhando influência entre os hooligans, começa a pegar gosto pela adrenalina das violentas brigas e pelo poder conquistado dentro da “organização”. 

Diferente de “Hooligans” com Elijah Wood que se passa nos anos noventa quando as brigas entre estas gangues aconteciam apenas nas ruas, nos anos oitenta a confusão existia até mesmo dentro dos estádios que viviam superlotados e sem lugares marcados, explodindo brigas a todo instante. 

Esqueçam futebol dentro do gramado, o longa mostra toda a violência que cercava este esporte na Inglaterra naquela época e principalmente o efeito da massa sobre o indivíduo. Estes grupos eram formados (e ainda são) por pessoas comuns que se transformam em bárbaros, se escondendo na multidão para liberar seus demônios.

O final do longa mostra que para alguns indivíduos o que vale é fazer parte de algo onde se sintam importantes, não importando as conseqüências ou o objetivo do grupo.

Entre os Vândalos (Among the Tugs, 1991)
Escritor - Bill Buford

O jornalista americano Bill Buford vivia na Inglaterra desde o final dos setenta e nunca havia se interessado por futebol. Na primeira metade dos anos oitenta ele é convidado por dois amigos para assistir a um jogo da primeira divisão inglesa e descobre um mundo completamente diferente do que imaginava, que acabou virando livro. 

Buford descreve no livro a loucura que era assistir ao um jogo de futebol na Inglaterra naqueles anos. A dificuldade começava com a multidão que entrava por pequenos portões em estádios que foram construídos no início do século e não tinham capacidade para suportar tantas gente, passando pelas brigas durante a partida e finalmente a saída onde as pessoas era praticamente levadas para fora do estádio em blocos compactados.

O que realmente mexeu com Buford foi a violência. Tentando entender o porquê daquilo, ele se aproximou dos líderes das torcidas (um deles do Manchester United) e participou de brigas violentas na Inglaterra, sempre como um curioso observador.

Duas situações narradas por Buford merecem destaque, a primeira é uma viagem que ele fez a Turim com torcedores do Manchester United para uma partida contra a Juventus e onde presenciou um sequência de bebedeiras, brigas e vandalismo durante dois dias. A segunda foi novamente na Itália durante a Copa do Mundo de 1990, quando torcedores ingleses travaram numa verdadeira guerra com a polícia da Sicília.

O livro é um grande exemplo de como a violência e o poder fascinam, o escritor cita que muitos dos participantes eram trabalhadores que aos finais de semana abandonavam a vida normal para se transformar em arruaceiros.

O filme e o livro são obrigatórios para quem tem interesse em entender sobre o tema e conhecer um pouco mais sobre uma época em que a violência acontecia não somente nas ruas, mas também dentro dos estádios.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Falsa Loura


Falsa Loura (Brasil, 2007) – Nota 7
Direção – Carlos Reichenbach
Elenco – Rosane Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar, Djin Sganzerla, João Bourbonnais, Susana Alves, Léo Áquila, Vanessa Prieto.

O diretor Carlos Reichenbach neste filme volta ao mundo da mulher operária depois de ter feito “Garotas do ABC”. 

Aqui ele tem como protagonista a falsa loura Silmara (Rosane Mulholland), bonita e com um belo corpo, ela se destaca entre as operárias de uma fábrica e com seu jeito desbocado é vista como mulher fácil pelas companheiras de trabalho e pelos homens que por ela se interessam, entre eles o cantor Bruno de André (Cauã Reymond), porém sua realidade é bem diferente. 

Vivendo com o pai que cumpriu pena por ser incendiário, ela precisa sustentá-lo pois sua mãe saiu de casa e seu irmão homossexual (o transformista Léo Áquila) o despreza, além disso por trás do jeito forte e decidido, se esconde uma jovem com desejos e sentimentos, que por encarnar um tipo de mulher que os homens vêem como apenas diversão, sofrerá na pele as conseqüências da aparência. 

A grande sacada do roteiro do próprio Reichenbach é mostrar como as pessoas são rotuladas pela sociedade e tratadas de acordo com que o aparentam, na maioria das vezes com um tipo de preconceito enraizado, tendo no filme outro exemplo, a da personagem Briducha (Djin Sganzerla) que a príncipio se apresenta como uma caipira, mas que a “falsa loura” a transforma em uma princesinha, mudando o modo de tratamento das companheiras em relação a garota e dos homens que começam a vê-la como mais um alvo.  

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Redes do Crime


Redes do Crime (What Doesn’t Kill You, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Brian Goodman
Elenco – Mark Ruffalo, Ethan Hawke, Amana Peet, Will Lyman, Brian Goodman, Donnie Wahlberg, Angela Featherstone, Edward Lynch.

Brian (Mark Ruffalo) e Paulie (Ethan Hawke) são amigos desde a adolescência e trabalham cobrando dívidas e fazendo pequenos roubos para o mafioso irlandês Pat Kelly (Brian Goodman), mas vivem praticamente sem dinheiro. Brian é viciado em drogas e álcool e precisa sustentar a esposa (Amanda Peet) e dois filhos, enquanto Paulie não gosta de trabalhar para Pat e tem o objetivo de ganhar dinheiro por conta. 

Durante um roubo que parecia simples, a dupla acaba presa por um policial (Donnie Wahlberg) que tem raiva de Brian por um problema antigo. O tempo na prisão será decisivo para a dupla decidir qual vida deseja ter quando estiver em liberdade. 

Este bom filme baseado numa história real acontecida em Boston, começa como um longa policial de ação, com uma cena que será explicada perto do final, mas a partir da segunda metade quando os personagens vão para cadeia, o roteiro muda o foco e transforma o filme num drama sobre escolha de vida. 

A curiosidade é ver novamente Donnie Wahlberg como policial, papel que tem feito regularmente no cinema e na tv. Que eu me lembre foram em três filmes da série “Jogos Mortais, na antiga série “Boomtown” e na atual “Blue Bloods”.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Meia-Noite em Paris


Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, EUA / Espanhas, 2011) – Nota 8
Direção – Woody Allen
Elenco – Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Kurt Fuller, Mimi Kennedy, Michael Sheen, Nina Arianda, Carla Bruni, Corey Stoll, Kathy Bates, Adrien Brody, Léa Seydoux.

Os noivos Gil (Owen Wilson) e Inez (Rachel McAdams) estão em Paris com os pais dela (Kurt Fuller e Mimi Kennedy), que bancaram a viagem. Logo percebemos que o casal é bem diferente entre si, Inez é fútil e pensa apenas em aproveitar o luxo da cidade as custas dos pais, enquanto Gil é um sonhador, que trabalha como roteirista mas deseja ser escritor e adora Paris. 

Quando eles encontram um casal de amigos dela, o arrogante Paul e a insossa Carol (Michael Sheen e Nina Arianda), Gil resolve passear sozinho pela cidade a noite, deixando a noiva com o casal. Como num passe de mágica, Gil é convidado para uma carona num carro antigo e acaba voltando para Paris dos anos vinte, cruzando com figuras como os escritores F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e T. S. Elliott, o pintor Picasso, o músico Cole Porter, Salvador Dali (um impagável Adrien Brody) entre tantos outros personagens da época, além da bela Adriana (Marion Cotillard), por quem ele se apaixona. 

O delicioso roteiro é um tiro certeiro de Woody Allen ao retratar com precisão as diferenças culturais entre duas épocas tão distintas. O roteiro brinca também com impressão que temos de que o passado é sempre melhor que o presente, além das sensacionais participações de personagens famosos interpretados de forma simpática. 

Os diálogos são sempre um caso a parte nos trabalhos de Allen, aqui algumas falas são sensacionais, como quando personagem de Owen Wilson tenta dar a dica ao diretor espanhol Luis Buñuel para filmar o clássico “O Discreto Charme da Burguesia” ou ainda quando a personagem de Gertrude Stein (Kathy Bates) compra por um valor muito baixo um quadro de Matisse. Estas cenas são exemplos de como muitas vezes o reconhecimento da genialidade de alguém vem anos após sua morte e que até mesmo a própria pessoa tinha dúvida do seu talento. 

Finalizando, podemos destacar a interpretação de Owen Wilson perfeito como o sujeito que vive um sonho, além da beleza e do talento de Marion Cottilard.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Gato Preto & A Morta-Viva


O Gato Preto (The Black Cat, EUA, 1934) – Nota 7
Direção – Edgar G. Ulmer
Elenco – Boris Karloff, Bela Lugosi, David Manners, Jacqueline Wells.

Viajando no Expresso do Oriente, o casal Peter (David Manners) e Joan (Jacqueline Wells) são obrigados a dividir a cabine com o sinistro Dr. Vitus Werdegast (Bela Lugosi). Chegando em uma cidade próxima aos Montes Cárpatos, o trio passa a viajar de carro e sofre um acidente onde morre o motorista. Como estão perto da casa de um conhecido do Dr. Vitus, eles resolvem se abrigar no local naquela noite. A casa pertence ao estranho Hjalmar Poelzig (Boris Karloff), que logo fica atraído pela bela Joan, além de esconder um terrível e segredo e na verdade se um inimigo do Dr. Vitus, que deseja resolver um problema do passado. 

Baseado num conto de Edgar Allan Poe, o longa reúne dois mitos do gênero, o grande Boris Karloff que dedicou praticamente toda a sua carreira aos filmes de terror e está imortalizado pelo papel de “Frankenstein” e o húngaro Bela Lugosi, o eterno “Drácula”. Por sinal, o ator David Manners também trabalhou com Lugosi no clássico “Drácula” de 1931. 

Lógico que o filme não assusta nos dias de hoje, mas apenas o clima sinistro desta produção já vale a sessão. 

A Morta-Viva (I Walked with a Zombie, EUA, 1943) – Nota 7
Direção – Jacques Tourneur
Elenco – Frances Dee, James Ellison, Tom Conway, Edith Barrett, James Bell, Christine Gordon.

A jovem enfermeira Betsy Connell (Frances Dee) é contratada para trabalhar numa ilha do Caribe na casa da família Holland. Seu trabalho será cuidar de Jessica (Christine Gordon) que teve uma doença tropical e sua mente desligou. Ela ainda anda, mas não fala e nem ouve, vivendo praticamente como um zumbi. A bondade de Betsy mexerá com as outras pessoas da casa, o marido Paul (Tom Conway) é um sujeito amargo que vive em conflito com o meio-irmão Wesley (James Ellison), ficando a mãe (Edith Barrett) no meio da situação. Os habitantes locais são praticantes do vodu e toda a noite usam tambores para seus rituais, o que desperta a curiosidade em Betsy que começa a acreditar que pode salvar Jessica através do vodu. 

Este diferente filme foi dirigido pelo bom Jacques Tourneur que fez vários longas de suspense e terror durante a carreira, como “Sangue de Pantera” e “Farsa Trágica” e aqui cria uma clima de suspense interessante, utilizando a crença no vodu como um dos temas principais, fato raro em qualquer produção da época.

Outro ponto positivo da carreira de Tourneur é o uso da sugestão para assustar o público, o que com certeza aconteceu na época.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Contagem Regressiva ao Zero


Contagem Regressiva ao Zero (Countdown to Zero, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Lucy Walker
Documentário

A diretora inglesa Lucy Walker filmou este documentário como uma espécie de propaganda a favor do desarmamento nuclear. Foram entrevistadas pessoas como os ex-presidentes da União Soviética Mikhail Gorbachev, dos EUA Jimmy Carter, da África do Sul Frederick de Klerk, o ex-primeiro ministro inglês Tony Blair, entre diversas outras figuras, além da utilização de imagens de arquivo do pai da bomba atômica, o físico Robert Openheimer. 

O documentário cita quais países tem a bomba nuclear (no total são nove países), como é falho o armazenamento de urânio enriquecido nos países da antiga União Soviética, o perigo dos terroristas conseguirem este material e principalmente a questão do Oriente Médio, onde Israel, Índia e Paquistão possuem a bomba e são países inimigos entre si. 

No geral são informações conhecidas por quem acompanha os noticiários e lê sobre o tema. Os fatos novos são algumas declarações de ex-militares, como as falhas de segurança que ocorreram algumas vezes e quase deram início a um revide nuclear americano ou russo, principalmente um erro de informação que por pouco não foi interpretado como ataque americano em 1995 e que o ex-presidente russo Boris Yeltsin resolveu sem apelar para retaliação. 

Vale para quem sabe pouco sobre o assunto e tem interesse em conhecer a história da bomba, mas no geral é um documentário que apresenta pouca coisa nova sobre o assunto. 

domingo, 17 de julho de 2011

Da Terra à Lua


Da Terra à Lua (From the Earth to the Moon, EUA, 1998) – Nota 9
Direção – Tom Hanks, David Frankel, Lili Fini Zanuck, Graham Yost, Frank Marshall, Jon Turteltaub, Gary Fleder, David Carson, Sally Field, Jonathan Mostow, Michael Grossman
Elenco – Tom Hanks, Tom Amandes, David Andrews, John Aylward, Dylan Baker, Adam Baldwin, Betsy Brantley, Robert John Burke, David Clennon, Gary Cole, Ronny Cox, Bryan Cranston, Matt Craven, Wendy Crewson, Brett Cullen, Timothy Dale, Blythe Danner, Cary Elwes, Sally Field, Dann Florek, Dave Foley, Tony Goldwyn, Jerry Hardin, Mark Harmon, Peter Horton, Chris Isaak, Zeljko Ivanek, Tcheky Karyo, Daniel Hugh Kelly, Dan Lauria, Fredric Lehne, Ted Levine, John Carroll Lynch, Ann Magnuson, Paul McCrane, Doug McKeon, Jay Mohr, Kieran Mulroney, George Newbern, Elizabeth Perkins, Kevin Pollak, James Rebhorn, Mark Rolston, Stephen Root, Debra Jo Rupp, Diana Scarwid, Nick Searcy, Lane Smith, Joe Spano, Cynthia Stevenson, Arthur Taxier, Tom Verica, Jobeth Williams, Rita Wilson, Max Wright, Steve Zahn, Winona Ryder, Dan Hagen, Graham Yost.

Em 1995, o astro Tom Hanks estrelou “Apolo 13”, longa baseado na missão espacial que quase terminou em tragédia. Pegando gosto pelo tema, ele se juntou a HBO e produziu esta minissérie em doze episódios, por sinal a mais cara da história da tv na época, onde conta toda a trajetória do Programa Espacial Americano, começando em 1961 quando o governo americano se surpreendeu com a viagem do astronauta soviético Yuri Gagarin ao espaço, situação que foi encarada como uma derrota na disputa da chamada “Guerra Fria”. O presidente John Kennedy sentindo-se pressionado, resolveu aumentar o investimento na “conquista do espaço”, dando início a uma disputa com os soviéticos para ver quem chegaria primeiro à lua.

A minissérie mostra todo o desenvolvimento do programa durante os anos sessenta, desde a construção dos foguetes, passando pelos problemas políticos e a vida pessoal dos astronautas e de todos os envolvidos.

Cada episódio foi comandando por um diretor diferente, apenas Tom Hanks dirigiu dois episódios, sendo o primeiro e o último quando ele além de ser o apresentador, interpreta um pequeno papel do assistente de Georges Melies, o francês que em 1902 (nos primórdios do cinema) dirigiu um curta sobre uma viagem à lua chamado  “Viagem à Lua” (“Le Voyage a Travers L’Impossible’). 
Com um elenco gigantesco e uma produção de primeira qualidade, a minissérie vai além do que foi mostrado no ótimo “Os Eleitos” de Philip Kaufman, sendo o trabalho definitivo sobre o tema.
 

Para finalizar, este foi a primeira produção de Tom Hanks, que seguindo esta carreira produziu novamente com a HBO o sensacional “Band of Brothers” e o recente “The Pacific”.

sábado, 16 de julho de 2011

Noites Violentas no Brooklin & Garotos Mortos Não Podem Voar


Noites Violentas no Brooklin (Last Exit to Brooklin, EUA / Inglaterra /Alemanha Ocidental, 1989) – Nota 7
Direção – Uli Edel
Elenco – Stephen Lang, Jennifer Jason Leigh, Burt Young, Peter Dobson, Jerry Orbach, Stephen Baldwin, Sam Rockwell, John Costelloe, Ricki Lake, Alexis Arquette.

Baseado num livro de Hubert Selby Jr (escritor do livro que deu origem a “Réquiem para um Sonho), este longa se passa no bairro do Brooklin em Nova York nos anos cinquenta, com vários personagens marginais tendo suas vidas cruzados. 

O personagem principal é o maquinista Harry Black (Stephen Lang), que é casado e faz parte do sindicato, porém muda sua vida quando se sente atraído por um travesti (Alexis Arquette), que por seu lado tem relação com um jovem (Peter Dobson). Na região ainda vive a bela prostituta Tralala (Jennifer Jason Leigh) que será vítima de um ato de violência, além do truculento Big Joe (Burt Young) que não aceita a gravidez da filha (Ricky Lake) e resolve dar uma lição no pai da criança (John Costelloe). 

O livro de Selby é considerado uma obra marginal por retratar com violência personagens que vivem à beira da sociedade numa época em que o preconceito era muito maior que nos dias atuais.

Garotos Mortos Não Podem Voar (Dead Boyz Can’t Fly, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Howard Winters (Cecil Howard)
Elenco – David John, Brad Friedman, Ruth Collins, Jason Stein, Daniel J. Johnson.

Buzz (Jason Stein) é um jovem desajustado que acaba ignorado durante uma entrevista de emprego e arma uma vingança junto com dois amigos drogados (Brad Friedman e Daniel J. Johnson). O trio invade o edifício onde está a agência de empregos, violenta e mata a secretaria do dono, uma bela loira que riu do jovem. Em seguida, Buzz faz os amigos acreditarem que no prédio existem drogas para serem roubadas. O trio toma de assalto um andar inteiro, entrando de sala em sala matando e torturando as vítimas em busca das drogas que não existem. O único sujeito que pode impedi-los é o faxineiro ex-veterano do Vietnã (David John). 

Este exercício de violência começa citando a quantidade de pessoas assassinadas no mundo no ano anterior e termina fazendo uma previsão de quantos morrerão violetamente no ano seguinte. No meio tempo o filme mostra cenas angustiantes de violência psicológica e física, dando a entender que a única de forma de combater o crime é através da violência. Esta idéia é reforçada pelo diretor dedicar o filme a dois amigos que foram assassinados em Nova York, local onde se passa a história, mostrada como uma cidade violenta cuidada por policiais incompetentes. 

A curiosidade é que o diretor assina como Howard Winters, porém por trás do pseudônimo está o diretor de filmes pornô Cecil Howard, que mostra ter algum talento para criar um clima angustiante, apesar das falhas na montagem e dos fracos atores, além do longa ser claramente uma produção B. Depois deste filme não há registro algum de outro trabalho de Howard, nem mesmo no universo pornô.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Corações Perdidos


Corações Perdidos (Welcome to the Rileys, EUA / Inglaterra, 2010) – Nota 7,5
Direção – Jake Scott
Elenco – James Gandolfini, Kristen Stewart, Melissa Leo, Joe Chrest, Ally Sheedy, Tiffany Coty, Eisa Davis.

Logo na primeira cena percebemos que Doug Riley (James Gandolfini) está angustiado. Em seguida descobrimos que ele tem um caso com uma garçonete (Eisa Davis). Enquanto isso sua esposa Lois (Melissa Leo) fica sem palavras quando uma pessoa pergunta se ela tem filhos. Fica claro que o casal teve uma grande perda e se distanciou. Quando a garçonete amante de Doug morre subitamente, ele segue numa viagem de negócios para New Orleans onde conhece a prostituta adolescente Mallory (Kristen Stewart), por quem rapidamente se apega por lembrar sua falecida filha. O fato faz com que Doug avise sua esposa Lois que não voltará para casa. Lois que vive sem sair de casa há anos, toma coragem e resolve pegar a estrada para encontrar o Doug e quem sabe reencontrar o amor do casal. 

O diretor Jake Scott estréia no cinema com um longa bem diferente dos trabalhos de seu pai Ridley e de seu tio Tony, especialistas em grandes produções. O longa é um trabalho pequeno que tem como pontos fortes o trio principal de atores, que encarnam personagens marcados pela tragédia e a história ao mesmo tempo triste e esperançosa. O roteiro é quase uma sessão de terapia onde os três personagens precisam enfrentar seus fantasmas para seguir a vida. 

É bom ver James “Tony Soprano” Gandolfini num papel dramático em um bom filme, tendo ainda a companhia da eterna sofredora Melissa Leo e até uma interpretação competente da estrela de “Crepúsculo” Kristen Stewart.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Farol do Fim do Mundo


O Farol do Fim do Mundo (The Light at the Edge of the World, EUA / Liechtenstein / Espanha / Suiça, 1971) – Nota 6
Direção – Kevin Billington               
Elenco – Kirk Douglas, Yul Brynner, Samantha Eggar, Jean Claude Drouot, Fernando Rey, Renato Salvatori, Massimo Ranieri.

No século XIX, numa ilha isolada, três homens são responsáveis pela manutenção de um farol que guia as embarcações para longe das pedras evitando acidentes. O monótono trabalho é interrompido quando um navio de piratas liderados pelo sanguinário Jonathan Kronge (Yul Brynner) chega a ilha e mata dois dos homens, restando vivo apenas Will Denton (Kirk Douglas), que foge e se esconde entre as pedras e cavernas da ilha. Quando outro navio se acidenta no local e os tripulantes são assassinados, Will salva um sobrevivente (Renato Salvatori) e juntos tentam retomar o farol e matar os piratas, além de tentarem salvar também a jovem Arabella (Samantha Eggar), que sobreviveu ao acidente e virou refém de Kronge. ]

Esta obra baseada num livro de Julio Verne foi produzida pelo astro Kirk Douglas, que alguns anos antes havia protagonizado o bom longa “20.000 Léguas Submarinas” também baseado em Verne. A questão é que esta adaptação é falha no roteiro ao introduzir um explicação rápida sobre o passado do personagem de Douglas sem convencer e principalmente na direção de Billington, que entrega um filme lento e longo (mais de duas horas), com diversas passagens desnecessárias. 

As cenas de ação são bem filmadas e as paisagens na ilha rochosa são belas, assim como o farol do título. A história poderia render uma adaptação bem melhor e nos dias atuais com a quantidade imensa de refilmagens, quem sabe algum produtor não descobre este filme.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cashback


Cashback (Cashback, Inglaterra, 2006) – Nota 7,5
Direção – Sean Ellis
Elenco – Sean Biggerstaff, Emilia Fox, Shaun Evans, Michelle Ryan, Stuart Goodwin, Michael Dixon, Michael Lambourne, Jared Harris.

O estudante de arte Ben Willis (Sean Biggerstaff) é abandonado pelo namorada (Michelle Ryan) e o fato acabou desencadeando uma insônia crônica no rapaz. Já que passa as noites em claro, para ocupar este tempo ele arruma um emprego no turno da noite em um supermercado. No local ele irá conviver com sujeitos estranhos e aos poucos se envolverá com a caixa do estabelecimento, Sharon (Emilia Fox). 

O detalhe interessante do filme é que o personagem principal consegue parar o tempo, congelando todos a sua volta para analisar os detalhes e decidir alguma situação. Pode não ser um grande filme, mas os simpáticos personagens, principalmente o casal de protagonistas e a sincera e sensível história valem a sessão.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cartas para Julieta & Amor Por Acaso


Cartas para Julieta (Letters to Juliet, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Gary Winick
Elenco – Amanda Seyfried, Christopher Egan, Gael Garcia Bernal, Vanessa Redgrave, Franco Nero, Oliver Platt.

A jovem jornalista Sophie (Amanda Seyfreid) e seu noivo, o falastrão Victor (Gael Garcia Bernal), viajam para Itália numa prévia da lua-de-mel. A questão é que enquanto Sophie deseja conhecer os pontos turísticos, Victor pensa apenas em visitar fornecedores para o restaurante que irá inaugurar em Manhattan. Quando Sophie visita a casa onde viveu Julieta do livro de Shakespeare, ela conhece algumas mulheres que respondem as cartas deixadas por outros mulheres que procuram ou perderam o verdadeiro amor. 

Por acaso, Sophie descobre uma carta escrita há cinqüenta anos, em que Claire Smith (Vanessa Redgrave) descreve o jovem que ela deixou na época e que sonha reencontrar. A resposta de Sophie faz com que Claire volte a procurar seu amor com a ajuda do arredio neto Charlie (Christopher Egan). Como Victor resolve viajar em busca de vinhos, Sophie se une a velha senhora e seu neto em busca do antigo amor de Claire. Esta viagem mudará inclusive as vidas de Sophie e Charlie. 

Apesar de não ser um filme ruim, o roteiro é esquemático, qualquer cinéfilo acostumado ao gênero descobrirá toda a história rapidamente. Como destaques temos a ótima veterana Vanessa Redgrave num simpático papel e as belíssimas paisagens italianas, onde quase todo o filme foi rodado. 

Amor Por Acaso (Bed & Breakfast, EUA, 2010) – Nota 4
Direção – Marcio Garcia
Elenco – Dean Cain, Juliana Paes, Bill Engvall, Julian Stone, Zilah Mendoza, John Savage, Eric Roberts, Marcos Pasquim, Julia Duffy, Rodrigo Lombardi.

No Rio de Janeiro, Ana (Juliana Paes) descobre após a morte do pai que ele deixou uma enorme dívida e conforme seu advogado Victor (Julian Stone), o único bem deixado pelo homem é a escritura de uma casa na Califórnia. Enquanto isso na Califórnia, na casa que seria do pai de Ana, Jake (Dean Cain) reforma o local para inaugurar uma pousada. Ana e seu advogado resolvem viajar para Califórnia com o objetivo de tomar posse do local e vendê-lo, porém Ana acabará entrando em conflito com Jake. 

A estréia do ator e apresentador Marcio Garcia na direção só não pode ser chamado de desastre total pelas belas imagens da Califórnia e por incrível que pareça, pela simpática atuação do canastrão Dean Cain (da antiga série “Lois & Clark”). Vale também a beleza de Juliana Paes, indiscutível por sinal e sua fluência no inglês, já o restante do longa é péssimo. Do roteiro repleto de clichês e situações absurdas, até o elenco de personagens que lembram programas como “Zorra Total”, nada se salva. 

Como a produção é americana, vários papéis de coadjuvante são interpretados por atores americanos, porém por canastrões conhecidos, como o veterano John Savage (“O Franco Atirador) que deixou seus dias de glória nos anos setenta e Eric Roberts, irmão de Julia Roberts, conhecido por aceitar qualquer tipo de papel. 

Mesmo errando feio, Marcio Garcia ainda conseguiu uma nova chance em outra produção americana que está sendo filmada no momento. Espero que desta vez faça algo melhor. 


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Metropolitan


Metropolitan (Metropolitan, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Whit Stillman
Elenco – Carolyn Farina, Edward Clements, Christopher Eigeman, Taylor Nichols, Dylan Hundley, Isabell Gillies, Bryan Leder.

Nova York, anos oitenta, um grupo de jovens de famílias ricas se reúne habitualmente no apartamento de Sally Fowler (Dylan Hundley) para festas privadas, onde discutem sobre diversos temas, como a condição social que vivem, se conseguirão manter este nível elevado por toda vida, falam ainda sobre relacionamentos, filosofia e festas. Um destes jovens, Tom (Edward Clements) é o novato no grupo, que mesmo se achando estranho por viver neste novo mundo, acaba aceito pelos demais. 

O diretor Whit Stillman estreou no cinema com este trabalho independente, onde escreveu também o roteiro se baseando num conto de Jane Austen e chamou atenção da crítica e de parte do público na época. Stillman utilizou sua própria experiência em viver no meio de famílias ricas de Manhattan, onde os jovens criam códigos para falar, se vestir e agir, sempre como uma elite em seu próprio mundo. 

Os pontos altos do filme são os ótimos diálogos e o jovem elenco que não deixa que os personagens se mostrem apenas como esnobes, mas também apresentam o outro lado nos momentos em que eles deixam claro que as amizades entre o grupo não é tão forte como parece e quando o medo de falhar na vida adulta vem à tona. 

O filme é considerado o primeiro da chamada “Trilogia Yuppie” dirigida por Stillman (seus únicos trabalhos no cinema), que faria “Barcelona” em 1994 estrelado por Christopher Eigeman e Taylor Nichols, finalizando em 1998 com “Os Últimos Embalos da Disco” com Robert Sean Leonard e Chloe Sevigny nos papéis principais e também com Eigeman no elenco. 

Agora após treze anos, Stillman volta a direção e deve lançar um novo trabalho até o final do ano.

domingo, 10 de julho de 2011

O Confronto Final


O Confronto Final (Southern Comfort, EUA, 1981) – Nota 7,5
Direção – Walter Hill
Elenco – Keith Carradine, Powers Boothe, Fred Ward, Peter Coyote, T. K. Carter, Franklyn Seales, Brion James, Sonny Landham.

Um grupo de nove soldados vai treinar nos pântanos da Louisiana. Carregando munição de festim, um dos soldados resolve brincar com uma família de moradores da região, ameaçando atirar. Os moradores ficam ofendidos com a brincadeira e resolvem revidar caçando os soldados com armadilhas violentas, matando um a um como se fossem inimigos em uma guerra. Os soldados perdidos na floresta tentam se defender, porém fica difícil por não conhecerem o local. 

Este bom filme de ação é mais um dos trabalhos competentes de Walter Hill (“48 Horas”, “Os Selvagens da Noite” e “Inferno Vermelho” entre outros) e lembra muito o clássico “Amargo Pesadelo” de John Boorman. A grande diferença é que aqui os perseguidos são soldados treinados, diferente dos executivos em férias do filme de Boorman. Walter Hill utiliza bem os cenários naturais do pântano para criar violentas cenas de ação que lembram também “O Predador”. 

Uma ótima diversão para quem gosta do gênero. 

sábado, 9 de julho de 2011

Tron: O Legado


Tron: O Legado (Tron: Legacy, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Jospeh Kosinski
Elenco – Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, Beau Garrett, Michael Sheen, Cillian Murphy.

Vinte anos após o desaparecimento de Kevin Flynn (Jeff Bridges), seu filho Sam (Garrett Hedlund) é o maior acionista da ENCOM, empresa de tecnologia que seu pai era dono. A questão é que Sam é um jovem rebelde que deixa a empresa nas mãos de terceiros e vive apenas dos lucros como acionista. 

A situação muda quando Alan Bradley (Bruce Boxleitner) recebe uma mensagem que acredita ser do desaparecido Kevin e avisa Sam do acontecido, dando a ele as chaves ao antigo fliperama onde Kevin trabalhava. A curiosidade de Sam faz ele descobrir um local secreto no fliperama e por acaso é sugado para dentro do jogo que foi desenvolvido por Alan e para onde seu pai Kevin conseguiu entrar. É o início da aventura de Sam dentro do jogo, onde reencontrará o pai e terá de enfrentar Clu (Jeff Bridges também), personagem desenvolvido por seu pai como um alter ego, que se rebelou. 

Mesmo tardia e com um roteiro simples, esta sequência do longa de 1982 é competente como cinema e sensacional em seu visual, na minha opinião sendo até melhor que original. Se o longa original tem a seu favor ser o primeiro filme a utilizar computação gráfica, aqui vemos na tela o avanço de trinta anos desta tecnologia, em que as sequências de ação com lutas e as perseguições com motos e pequenos aviões são de prender o espectador na cadeira. 

Outro ponto alto é trilha sonora da dupla francesa Daft Punk, que mistura techno com músicas ao estilo anos oitenta, se casando perfeitamente com o longa e ainda lembrando muito a trilha do filme original produzida por Wendy Carlos. 

O elenco é apenas um detalhe neste filme em que o visual é o ponto principal, trazendo somente Jeff Bridges e uma pequena participação de Bruce Boxleitner como personagens que trabalharam no original. Fica ainda a curiosidade da também pequena participação de Cillian Murphy no início do longa. Ela faz o papel do filho do vilão do longa original, que era interpretado por David Warner. A idéia provavelmente é utilizar Murphy como vilão num futuro filme da série.   

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Bombas - Comédias com Ashton Kutcher

Desta vez meu "homenageado" na sessão "Bombas" é o astro Ashton Kutcher. O ator ficou conhecido pelo papel do bobalhão Michael Kelso em "That 70's Show", migrou para o cinema e direcionou praticamente toda sua carreira para comédias, em sua maioria filmes fracos com piadas sem graça.

O único diferencial na carreira de Kutcher foi o interessante "Efeito Borboleta". Ele tentou um papel mudar no razoável "Anjos da Vida" ao lado de Kevin Costner, mas fracassou.

As comédias que cito aqui são veículos voltados para o público jovem, aquele mesmo que acompanha Kutcher desde o seriado de tv, passando pelo programa de pegadinhas Punk'd e que o seguem no Twitter, ferramenta que ele usa para se promover.

Até mesmo seu casamento com Demi Moore pode ser visto por muitos como uma jogada de marketing. Demi tem dezesseis anos a mais que ele e uma carreira melhor, mesmo que também irregular.

Recém-Casados (Just Married, EUA / Alemanha, 2003) – Nota 5
Direção – Shawn Levy
Elenco – Ashton Kutcher, Brittany Murphy, Christian Kane, David Moscow, David Rasche, Veronica Cartwright, Raymond J. Barry, Monet Mazur, George Gaynes.

A história começa com o locutor de rádio Tom (Ashton Kucther) e a jovem rica Sarah (Brittany Murphy) voltando de lua-de-mel e brigando como cão e gato. Logo em seguida conheceremos a história do casal em flashback, desde quando eles se conheceram na praia quando Tom acerta uma bolada na cabeça de Sarah, passando pelo casamento que a família dela não aceitava, até a desastrosa lua-de-mel. A história é esquemática, garoto pobre se casa com menina rica e passa dificuldades até tudo se acertar, além disso as piadas são em sua maioria sem graça, com algumas de extremo mal gosto. A falecida Brittany Murphy não compromete, mas Kutcher praticamente repete o papel de Michael Kelso da série “That ‘70s Show”, utilizando todos os tiques possíveis. No final o longa é uma grande perda de tempo.

A Filha do Chefe (MyBoss’s Daughter, EUA, 2003) – Nota 5,5
Direção – David Zucker
Elenco – Ashton Kutcher, Tara Reid, Terence Stamp, Andy Richter, Michael Madsen, Molly Shannon, Jon Abrahams, Carmen Electra, Jeffrey Tambor.

O jovem Tom (Ashton Kutcher) tem a ambição de conseguir uma promoção no emprego e para agradar seu chefe (Terence Stamp), aceita tomar conta da casa deste enquanto ele viaja. Tom também tem o objetivo de conquistar a Lisa (Tara Reid), a filha do chefe. O plano infalível se torna uma tragédia após uma sequência de confusões. Apesar de ser um pouco melhor que o fraco “Recém-Casados” que Kutcher estrelou no mesmo ano, o resulto é pífio quando vemos o outrora ótimo diretor de comédias David Zucker (”Apertem os Cintos, o Piloto  Sumiu”, “Por Favor, Matem Minha Mulher”) sendo responsável por este filme previsivel e de algumas poucas risadas.

A Família da Noiva (Guess Who, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Kevin Rodney Sullivan
Elenco – Bernie Mac, Ashton Kutcher, Zoe Saldana, Judith Scott.

Simon Green (Ashton Kutcher) começa a namorar Theresa (Zoe Saldana) e quando é convidado para conhecer a família da moça, as coisas se complicam. Ele é branco e a família da noiva negra, sendo que principalmente o pai (Bernie Mac) não aceita o namoro. Diversas confusões, desentendimentos e algumas piadas são os ingredientes deste longa que se revela uma cópia bem inferior do clássico “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, que também era uma comédia que criticava os costumes e as diferenças raciais. O melhor do filme é o falecido comediante Bernie Mac, que faz um papel bravo e ao mesmo tempo de coração mole.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Se Nada Mais Der Certo


Se Nada Mais Der Certo (Brasil, 2008) – Nota 7,5
Direção – José Eduardo Belmonte
Elenco – Cauã Reymond, Caroline Abras, João Miguel, Luiza Mariani, Milhem Cortaz, Leandra Leal, Adriana Lodi, Murilo Grossi, Eucir de Souza, Marcos Cesana, Tainá Muller, Antônio Petrin.

O jornalista Léo (Cauã Reymond) está desempregado e sem dinheiro, morando em um apartamento no centro de SP onde abriga uma amiga viciada em drogas, Angela (Luiza Mariani) e seu filho pequeno, além de uma empregada (Adriana Lodi) a quem deve vários meses de salário. 

Numa noite, Léo sai à procura de sua amiga e num inferninho onde ela costuma comprar drogas, ele acaba fazendo amizade com Marcin (Caroline Abras), uma jovem traficante que se veste e age como garoto. Entre os dois nasce uma relação de amizade, que cresce quando Léo é apresentado ao taxista Wilson (João Miguel), um sujeito solitário com tendências suicídas. 

Estes personagens à beira da sociedade começam a praticar pequenos golpes, com se fosse uma resposta a condição social em que vivem, chegando próximo do que se poderia chamar de felicidade, até quando aceitam participar de um grande assalto com outros sujeitos, o que resultará em tragédia.

O diretor José Eduardo Belmonte é responsável por filmes experimentais como “Subterrâneos” e “A Concepção”, tendo aqui seu trabalho mais comercial, o que não é algo ruim, pelo contrário. O bom roteiro foca em personagens com atitudes marginais, como o travesti interpretado por Milhem Cortaz e o traficante de Murilo Grassi, porém o trio de protagonistas são pessoas que o destino empurrou para aquela situação e que não tiveram força para seguir o caminho correto, assim como a personagem drogada de Luiza Mariani. 

O trio principal também é responsável por boas interpretações, com a pequena Carolina Abras bem como a jovem com problemas de identidade, o competente João Miguel, além do surpreendente Cauã Reymond, a quem eu pensava ser apenas um galã de TV e sem nunca ter prestado atuação a seu trabalho, convence como o jornalista derrotado pela vida, que se envolve no crime para tentar se reerguer. 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vidas Amargas


Vidas Amargas (East of Eden, EUA, 1955) – Nota 8,5
Direção – Elia Kazan
Elenco – James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Burl Ives, Richard Davalos, Jo Van Fleet, Albert Dekker, Lois Smith.

Durante a 1º Guerra Mundial, no Vale de Salinas na Califórnia, vive Carl (James Dean) o filho rebelde de Adam (Raymond Massey), um fazendeiro dominador e católico fervoroso que tem olhos apenas para seu outro filho, Aron (Richard Davalos) considerado o menino de ouro da família e que está noivo da bela jovem Abra (Julie Harris). 

O motivo da aversão de Adam pelo filho Carl é por ele lembrar a mãe (Jo Van Fleet), que abandonou o marido, mas este contou aos filhos que ela havia morrido. Quando Carl descobre que a mãe está viva e morando em um cidade próxima da fazenda onde vivem, a relação entre ele e o pai piora. Além destes problemas, a bela Abra será o vértice de um triângulo amoroso quando se aproximar do solitário Carl. 

Este drama baseado num livro de John Steinbeck é um dos grandes filmes do diretor grego Elia Kazan (“Sindicato de Ladrões”) e tem como mística ser um dos três únicos filmes da carreira de James Dean (lógico que não contam as pequenas participações dele em séries de tv). Podemos destacar também o ótimo elenco de apoio, especialmente Raymond Massey, Burl Ives e Jo Van Fleet, todos com grande experiência na época em cinema e teatro. 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Cortina de Fumaça & Sem Fôlego


Cortina de Fumaça (Smoke, EUA / Alemanha / Japão, 1995) – Noa 7,5
Direção – Wayne Wang & Paul Auster
Elenco – William Hurt, Harvey Keitel, Forest Whitaker, Harold Perrineau Jr, Stockard Channing, Jared Harris, Giancarlo Sposito, Ashley Judd, Victor Argo, Erica Gimpel, Jose Zuniga, Malik Yoba.

Em Nova York no ano de 1990, Auggie Wren (Harvey Keitel) é o dono de uma tabacaria freqüentada por diversos personagens, entre eles o escritor Paul Benjamin (William Hurt), que após a morte da esposa não mais conseguiu lançar um livro. A vida de Paul muda quando é salvo por Rashid Cole (Harold Perrineau Jr) antes de ser atropelado. O fato dá início a uma relação de amizade entre o escritor e o jovem que pretende conhecer o pai, Cyrus (Forest Whitaker) que é dono de uma decadente oficina mecânica. A vida de Auggie também muda quando reaparece em sua vida a ex-namorada Ruby (Stockard Channing), alegando que eles tem uma filha (Ashley Judd) que é viciada em drogas. 

O diretor Wayne Wange se juntou ao escritor Paul Auster para filmar o roteiro deste filme sobre pessoas comuns que convivem ao redor de um local, a tabacaria de Auggie, onde praticamente todos os personagens fumam e tentam resolver seus problemas da melhor forma possível.

O destaque são as atuações simples, como a amizade entre os personagens de William Hurt e Harvey Keitel, além do simpático papel de um Harold Perrineau Jr (o Michael de “Lost”) ainda quase adolescente.

O longa lembra as simpáticas produções de Jim Jarmusch, que por sinal trabalha como ator em “Sem Fôlego”, uma espécie de continuação filmada logo em seguida.


Sem Fôlego (Blue in the Face, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Wayne Wang & Paul Auster
Elenco – Harvey Keitel, Lou Reed, Giancarlo Esposito, Victor Argo, Jim Jarmusch, Roseanne, Jared Harris, Mel Gorham, Lily Tomlin, Malik Yoba, Michael J. Fox, Jose Zuniga, Mira Sorvino, Keith David, Madonna, John Lurie, Stephen Gevedon.

Após finalizar as filmagens de “Cortina de Fumaça”, a dupla Wang/Auster filmou em seguida em apenas cinco dias e utilizando os mesmos cenários, o longa “Sem Fôlego”, uma grande brincadeira que homenageia o bairro do Brooklin, local onde fica a tabacaria de Auggie (Harvey Keitel). 

Desta vez Auggie precisa acalmar uma namorada temperamental (Mel Gorham) e uma amiga (Roseanne) que namora o dono do imóvel onde fica a tabacaria, o veterano Vinnie (Victor Argo) que deseja vender o edifício. 

Enquanto isso diversos personagens incomuns desfilam na tela, os desocupados, o malandro, o músico John Lurie e sua banda e tendo como destaques o diretor Jim Jarmusch num engraçado diálogo sobre cigarros com o personagem de Harvey Keitel e o cantor Lou Reed falando sobre como é viver no Brooklin. Temos ainda as pequenas e engraçadas participações de Madonna e Michael J. Fox. Um divertido e desprentensioso exercício de amor ao Brooklin.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Reine Sobre Mim


Reine Sobre Mim (Reign Over Me, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Mike Binder
Elenco – Adam Sandler, Don Cheadle, Jada Pinkett Smith, Liv Tyler, Saffron Burrows, Donald Sutherland, Robert Klein, Melinda Dillon, Mike Binder, Jonathan Banks, Rae Allen, Paula Newsome, John de Lancie.

O dentista Alan Johnson (Don Cheadle) vive em Nova York e por acaso encontra um ex-colega de faculdade, Charlie Fineman (Adam Sandler) a quem não via há muitos anos. Alan sabia pelos jornais que a esposa e as três filhas de Charlie morreram nos atentados de 11 de setembro, mas se assusta quando percebe que o amigo mudou, primeiro não se lembra dele e depois fica muito nervoso quando Alan cita sua família. 

Logo, Alan percebe que Charlie tentou apagar a tragédia de sua mente, deixando todo o passado de lado. Ele abandonou o trabalho e vive da fortuna que recebeu como indenização pela morte da família. Charlie passa o dia jogando videogame, ouvindo músicas, colecionando discos de vinil dos anos oitenta e andando pela cidade em um patinete motorizado. 

Alan tem uma bela esposa (Jada Pinkett Smith) e duas filhas, porém se sente preso ao trabalho que não o satisfaz e a falta de amigos. Os dois sujeitos em angústia retomam a amizade através de coisas simples, como dois adolescentes, mas mesmo assim Alan tenta fazer Charlie superar a tragédia com a ajuda de uma jovem psiquiatra (Liv Tyler), o que não será nada fácil. 

Este sensível drama escrito e dirigido pelo também ator Mike Binder, coloca ao fundo a tragédia de 11 de setembro para criar um história de amor, amizade e perdas. Binder acerta ao mostrar como um perda trágica muda a vida de várias pessoas ao redor do ocorrido. Além do sofrimento do personagem de Sandler, temos o próprio Binder como seu contador e melhor amigo e o casal de sogros (Robert Klein e Melinda Dillon) que não se conforma com a reação de Charlie após a tragédia. 

Um interessante drama que merece ser visto.

domingo, 3 de julho de 2011

Disque M para Matar


Disque M para Matar (Dial M for Murder, EUA, 1954) – Nota 8
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson.

O ex-tenista Tony Wendice (Ray Milland) após descobrir que sua bela esposa Margot (Grace Kelly) tem um caso com o escritor americano Mark Halliday (Robert Cummings), planeja minuciosamente durante um ano o assassinato da mulher. Tony recorre a um ex-colega de universidade, o golpista C. A. Swan (Anthony Dawson) para assassinar a esposa enquanto o próprio amante da mulher, o escritor Mark será o álibi de Tony. Como não existe crime perfeito, algo dá errado e o inspetor Hubbard (John Williams) entra na investigação dando início a um jogo de xadrez para descobrir quem é o mentor do plano. 

Este clássico de Hitchcock tem todos os ingredientes da filmografia do diretor, temos a inocente sendo acusada (“O Homem Errado” e “O Homem que Sabia Demais), o assassino estrangulador (“Frenesi”) e a trama complexa cheia de reviravoltas (“Festim Diabólico”). 

O ótimo roteiro é valorizado principalmente pelas interpretações de Ray Milland como o sujeito frio que planeja o crime nos mínimos detalhes e do pouco conhecido John Williams como o inspetor ardiloso que não descansa enquanto não desvenda o crime. 

É uma sessão de cinema que vale como aula de como se fazer um filme de suspense sem sangue, tendo apenas uma sequência de violência e praticamente todo baseado em diálogos afiados.

sábado, 2 de julho de 2011

Heroes

Heroes (Heroes, EUA, 2006 a 2010)
Criador - Tim Kring
Elenco - Jack Coleman, Milo Ventimiglia, Hayden Panettiere, Masi Oka, Sendhil Ramamurthy, James Kyson Lee, Adrian Pasdar, Zachary Quinto, Greg Grunberg, Ali Larter, Jimmy Lean Louis, Santiago Cabrera, Noah Gray Cabey.

Muitas séries apostam num episódio piloto impactante e um roteiro cheio de mistérios para garantir o sucesso de pelos menos a primeira temporada. Temos exemplos como "Lost" e "The Event". A dificuldade é manter o nível de suspense e ter história para seguir a série, quando isso não acontece a tendência é o cancelamento. Apesar de ter durado quatro temporados, um destes casos em que a ótima premissa é desperdiçada após a primeira temporada é "Heroes".

Seguindo a linha de "X-Men", a série tinha como protagonistas um grupo de pessoas que não se conheciam e tinham poderes paranormais. A jovem Claire (Hayden Panettiere) era imortal, Peter Petrelli (Milo Ventimiglia) tinha capacidade de imitar os poderes dos outros, seu irmão Nathan (Adrian Pasdar) era um político que podia voar, o policial Matt Parkman (Greg Grunberg) conseguia ler a mente das pessoas, Hiro Nakamura (Masi Oka) manipulava o tempo, entre diversos outros personagens.

O ótimo roteiro que cruzava a história de cada personagem guiando para um espécie de confronto final retratado nas telas de um pintor drogado (Santiago Cabrera). O suspense aumentava em virtude de três outros personagens fundamentais na trama. O pai de Claire, Noah Bennett (Jack Coleman) trabalhava para uma organização secreta que caçava os paranormais, o cientista Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) continuava o trabalho de seu pai que fora assassinado pesquisando a origem dos poderes nestas pessoas e o grande vilão da história era Sylar (Zachary Quinto), um maluco que assassinava os paranormais tomando deles os poderes, com o intuito de se tornar o mais poderoso.

A primeira temporada é nada menos que sensacional, os personagens são carismáticos, os episódios cada vez mais tensos, culminando com um climax que deveria ser o final da série na minha opinião. Foi a típica série em que os produtores e o criador pensaram apenas na primeira temporada e caso fizesse sucesso criariam a sequência da história, o que foi um grande erro. Para piorar, no ano em que seria lançada a segunda temporada houve a greve dos roteiristas e apenas onze episódios foram produzidos. Mesmo com pouco tempo, os roteiristas criaram vários novos personagens que abriram o leque da história e deixaram a impressão de estarem enrolando o espectador. Acontecia muita coisa, mas a história não saia do lugar. Além disso alguns personagens da primeira temporada foram lançados no tempo para locais absurdos, sem sentido com a trama, o que fez o nível de audiência despencar.

Com a desculpa da greve dos roteiristas, os fãs esperavam que uma terceira temporada completa fosse a volta da série ao auge, mas isso não se confirmou. Como a história já estava confusa e com um excesso de personagens, inclusive alguns que morriam e voltavam, não seria fácil colocar a série no rumo certo e uma decisão piorou ainda mais a situação. Resolveram inverter papéis, os vilões se arrependeram e alguns heróis se tornaram vilões, transformando a série no "samba dos heróis malucos". Consegui assistir parte apenas desta temporada e desisti, era absurdo ver uma série empolgante se transformar numa bagunça apenas para tentar se manter. Houve ainda uma quarta temporada antes de ser cancelada, mas não tive a mínima vontade de acompanhar.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O Sucesso a Qualquer Preço


O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross, EUA, 1992) – Nota 8
Direção – James Foley
Elenco – Al Pacino, Jack Lemmon, Alec Baldwin, Ed Harris, Alan Arkin, Kevin Spacey, Jonathan Price, Bruce Altman, Jude Ciccolella.

Em Chicago, na filial de uma grande empresa de venda de imóveis, um grosseiro representante da matriz (Alec Baldwin) comanda uma reunião com quatro vendedores experientes (Al Pacino, Jack Lemmnon, Ed Harris e Alan Arkin), onde joga na mesa as regras do jogo. 

Durante um curto período o grupo terá de fechar negócio utilizando apenas contatos antigos, pessoas que se interessam por imóveis mas por algum motivo desistiram da compra. Aquele que conseguir o maior número de vendas ganhará um Cadillac, terá direito a um polpuda comissão e ainda receberá contatos novos de possíveis compradores, o “Glengarry Glen Ross” do titulo original, o segundo melhor vendedor um conjunto de facas, enquanto o que vender menos perderá o emprego. 

Nesta disputa a empresa não levará em conta o currículo de vendas do sujeito, o tempo de serviço ou mesmo a situação pessoal, a única saída para garantir o emprego é vender, não importa de qual forma. Esta terrível pressão dá início a uma corrida para garantir o emprego, onde os veteranos vendedores usarão de todas as táticas possíveis para convencer os clientes, mesmo que tenham de mentir, enganar ou ainda derrubar algum colega de trabalho, deixando a ética completamente de lado. 

O diretor James Foley precisou de poucos cenários para criar um clima de angústia e disputa entre os concorrentes, utilizando o ótimo roteiro de David Mamet, que enfoca o lado obscuro do ser humano, o que de pior as pessoas mostram quando se sentem pressionadas ou quando desejam lucrar. O roteiro também apresenta diversas técnicas utilizadas pelos vendedores para persuadir os clientes, sempre pressionando, não deixando o cliente refletir com calma e mostrando apenas parte da verdade. 

Outro ponto forte do filme é o ótimo elenco que interpreta com talento os diálogos cortantes de Mamet escritos há quase vinte anos e que hoje em dia estão ainda mais atuais.