quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sozinho Contra Todos

Sozinho Contra Todos (Seul Contre Tous, França, 1998) – Nota 8
Direção – Gaspar Noé
Elenco – Phillipe Nahon, Bladine Lenoir, Frankye Pain, Martine Audrain.

O diretor franco-argentino Gaspar Noé quatro anos antes de ficar conhecido mundialmente pelo polêmico “Irreversível”, filmou este outro longa que também é um verdadeiro soco no estômago. 

O roteiro segue a história do Açougueiro (Phillipe Nahon) qua apareceu pela primeira vez no média-metragem “Carne” filmado em 1991. 

Logo no início o personagem principal faz um resumo de sua vida em tom de fábula, explicando ainda os fatos que ocorreram com sua esposa e principalmente com sua filha acarretando na sua prisão e na internação da garota em um hospício. O Açougueiro agora vive com sua amante (Frankye Pain) que está grávida e que prometeu dar a ele um novo açougue para trabalhar, mas acaba utilizando o fato para humilhar o homem que já carrega consigo uma tonelada de ódio e rancor. 

O ideal é não comentar mais sobre a trama, o principal aqui é entender a mente de um personagem que sofreu a vida inteira, chegando a uma situação sem saída, o que faz com que ele sinta ódio por tudo e contra todos. 

A grande sacada é a narração do personagem principal, o que na verdade é sua mente externando a vontade de vingança contra o sistema, seja ele o país, seus antigos parceiros de trabalho ou a amante e sua sogra, bem diferente de sua vida real, onde ele é um sujeito calado e sofrido. 

A parte técnica também é interessante, Noé deixa a câmera parada na maioria das tomadas com cortes pontuados por um barulho forte que pode ser comparado a um tiro, além de frases e palavras como Moral e Justiça utilizadas para explicar os pensamentos raivosos do protagonista, culminando com uma contagem regressiva de trinta segundos alertando o espectador para sair da sala antes da sequência final, que pode ser vista ao mesmo tempo como redentora e repulsiva. 

Como curiosidade, o ótimo ator Phillipe Nahon aparece na cena inicial de “Irreversível” conversando nu com outro personsagem dentro do quarto de um hotel vagabundo ao lado da boate onde acontece boa parte da trama. 

Assim como “Irreversível”, este é um típico filme que deixará o espectador no mínimo incomodado.   

4 comentários:

Celo Silva disse...

Do Noé so assisti Irreversivel mesmo, mas tb tem um outro dele chamado Enter The Void q dizem ser bem contudente. Esse parece interessante, me lembrou Bronson do Refn. Abração!

Gabriel Neves disse...

Qualquer filme de Gaspar Noé é esse soco no estômago, deixando o espectador com mais do que um incômodo. Dá asco porque é verdade, é o ultrarrealismo na forma humana mais grotesca o possível.
Abraços, adorei teu texto!

Fábio Henrique Carmo disse...

Do Noé também só conheço "Irreversível". Ele me parece ser um diretor que adora uma choque meio gratuito. Bem, de qualquer forma, esse entra na minha lista para conhecer melhor o trabalho do diretor.

Hugo disse...

Celo - Vou procurar este "Enter the Void".

Gabriel - Noé tenta ser realista ao extrema, de uma forma que com certeza deixa muitos espectadores ofendidos.

Fábio - Este dois trabalhos de Noé que assisti são fortes, mas não vejo como gratuito, seria mais uma espécie de "choque" que ele tenta dar no espectador.

Abraço