terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nunca Mais Outra Vez - O Adeus a Irvin Kershner

Há alguns dias faleceu aos oitenta e sete anos o diretor Irvin Kershner, conhecido principalmente pelo trabalho que para muitos é o melhor filme da série Guerra nas Estrelas, o ótimo "O Império Contra-Ataca".

Kershner dirigiu poucos filmes, como "Resgate Fantástico", "Os Olhos de Laura Mars" e "Robocop II", sendo que não chegou a ser considerado um grande diretor, mas mesmo assim deixou uma carreira interessante.

Aqui escrevo sobre o curioso longa extra-oficial com o personagem 007, que Kershner dirigiu em 1983 e teve Sean Connery de volta ao papel de Bond.

Nunca Mais Outra Vez (Never Say Never Again, Inglaterra / EUA / Alemanha Ocidental, 1983) – Nota 7
Direção – Irvin Kershner
Elenco – Sean Connery, Klaus Maria Brandauer, Max Von Sydow, Barbara Carrera, Kim Basinger, Bernie Casey, Alec McCowen, Edward Fox, Rowan Atkinson.

Doze anos após ter feito “007 – Os Diamantes São Eternos”, Sean Connery aceitou voltar ao papel do famoso agente secreto neste filme que não faz parte da série oficial. O filme existe em virtude de uma briga judicial que levou os direitos do livro “Thunderball” para os mãos de Kevin McClory, que também havia sido o produtor de “007 Contra Chantagem Atômica”, a adaptação original do livro para a série oficial de filmes. Kevin McClory escreveu este novo roteiro e produziu o longa, contratando o diretor Irvin Keshner que vinha do grande sucesso de “O Império Contra-Ataca” para comandar o filme.  

Aqui James Bond (Sean Connery) está aposentado e acaba sendo chamado de volta à ativa quando a organização Spectre rouba dois misseis nucleares e ameaça dispará-los caso não receba um grande valor de resgate. Os vilões são Blofeld (Max Von Sydow), figura que aparece em outros longas e Maximilian Largo (Klaus Maria Brandauer), que tem como amante a bela Domino (Kim Basinger em início de carreira) e como ajudante a perigosa Fatima Blush (Barbara Carrera). 

O filme é apenas razoável, inclusive inferior ao original e chama mais atenção pela polêmica da briga pelos direitos autorais e pela volta de Sean Connery ao papel. Além disso, ele foi lançado para concorrer diretamente como “007 Contra Octopussy”, penúltimo filme de Roger Moore no papel de Bond e mesmo não sendo dos melhores da série, também é superior a este.  

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Corra Que a Polícia Vem Aí! - O Adeus a Leslie Nielsen

Faleceu ontem as oitenta e quatro anos o ator Leslie Nielsen. Conhecido pelos papéis cômicos na série "Corra Que a Policia Vem Aí" e em diversas outras paródias, este canadense começou a carreira nos anos cinquenta e participou do clássico da ficção "O Planeta Proibido" e depois como coadjuventa em filmes como "O Homem com a Lente Mortal" com Sean Connery e "O Destino do Poseidon" com Gene Hackman. No final dos anos setenta seus trabalhas se resumiam a participações em seriados de tv, mas com o grande sucesso da comédia "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu" sua carreira renasceu, assim como de outros veteranos como Robert Stack, Peter Graves e Lloyd Bridges. Este fênomemo ocorreria novamente com a ficção "Cocoon", que deu sobrevida no cinema a uma legião de veteranos ainda mais idosos como Jessica Tandy, Hume Cronyn e Don Ameche.

Nesta postagem além da citar os filmes da série "Corra Que a Polícia Vem Aí!", eu escrevo sobre o seriado "Esquadrão de Polícia" que foi ao em 1982 e teve apenas seis episódios, mas deu origem aos filmes que fizeram um grande sucesso no cinema.

Esquadrão de Polícia (Police Squad!, EUA, 1982) – Nota 8
Direção – David Zucker, Jim Abrahams & Jerry Zucker – Joe Dante (Dois episódios) – Georg Stanforg Brown – Paul Krasny – Reza Badiyi
Elenco – Leslie Nielsen, Alan North, Lorne Greene, Georg Stanford Brown, Florence Henderson, Robert Goulet, William Shatner, William Conrad, Paul Lupus.

Após o sucesso de “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, o trio ZAZ (Zucker, Abrahams e Zucker) tentou levar seu humor politicamente incorreto para a tv e produziu este seriado que teve apenas seis episódios e foi cancelada, mas acabou sendo o embrião para a trilogia “Corra Que a Polícia Vem Aí!”, que foi dirigida apenas por David Zucker. 

Aqui Leslie Nielsen interpreta Frank Drebin, um confuso detetive de polícia que enfrenta situações inusitadas de modo extremamente engraçado, com ajuda do chefe de polícia Ed Hocken (Alan North) e do também confuso Nordberg (Paul Lupus). Muita coisa da série é usada nos filmes, inclusive várias piadas, como os créditos iniciais com um carro de polícia atropelando tudo com a sirene ligada. Outro detalhe engraçado acontece no início de cada epísódio, quando um personagem aparece apenas para morrer, sempre interpretando por gente conhecida como William Shatner (o Capitão Kirk de “Jornada nas Estrelas”) e Lorne Greene (do seriado “Bonanza”). Os episódios foram lançados no Brasil em VHS no anos noventa e pelo que sei ainda não saíram em DVD por aqui.

Corra Que a Polícia Vem Aí! (The Nakek Gun: From the Files of Police Squad!, EUA, 1988) – Nota 8
Direção – David Zucker
Elenco – Leslie Nielsen, Priscila Presley, George Kennedy, Ricardo Montalban, O . J. Simpson, Susan Beaubian, Nancy Marchand.

O desastrado detetive Frank Drebin (Leslie Nielsen) é o responsável pela segurança da Rainha da Inglaterra que está em visita aos EUA. Após muita confusão, com a ajuda do também atrapalhado Nordberg (O. J. Simpson) e de se envolver com a sedutora Jane (Priscilla Presley), ele desobrirá um plano para assassinar a Rainha elaborado por Vincent Ludwig (Ricardo Montalban). 

Este primeiro filme baseado no seriado que teve apenas seis episódios é hilário, com uma piada atropelando outra, inclusive com uma sensacional sequência onde Frank Drebin detona diversos líderes inimigos dos EUA, entram na surra Arafat, Gorbatchev, Idi Amin Dada e Khomeini entre outros, além disso Leslie Nielsen cria uma espécie de Inspetor Closeau ainda mais exagerado e atrapalhado. Aqui George Kennedy substitui Alan North no papel do chefe de Drebin e o polêmico astro de futebol americano O. J. Simpson interpreta Nordberg, antes do famoso crime em que se envolveu.

Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2 (The Naked Gun 2 1/: The Smell of Fear, EUA, 1991) – Nota 7,5
Direção – David Zucker
Elenco – Leslie Nielsen, Priscilla Presley, George Kennedy, O . J. Simpson, Robert Goulet, Richard Griffiths, Lloyd Bochner.

Nesta sequência Frank Drebin (Leslie Nielsen) continua com sua amada Jane (Priscilla Presley) e precisa deter um vilão (o cantor brega Robert Goulet) que substituiu um cientista (Richard Griffiths) que desenvolveu uma nova fonte de energia, por um sósia que deverá apoiar o bandido e ajudar os negociantes de petróleo. 

Todos os personagens principais continuam aqui e a história é apenas um pretexto para a sucessão de piadas, mesmo sendo um pouco inferior ao original é extremamente engraçado.

Corra Que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3 – O Insulto Final (The Naked Gun 33 1/3: The Final Insult, EUA, 1994) – Nota 7
Direção – Peter Segal
Elenco – Leslie Nielsen, Priscilla Presley, George Kennedy, O. J. Simpson, Fred Ward, Kathleen Freeman, Ana Nicole Smith, Joe Grifasi, Pia Zadora, Raquel Welch.

No fechamento da trilogia, Frank Drebin (Leslie Nielsen) está aposentado e casado com Jane (Priscilla Presley), mas acaba sendo chamado de volta ao serviço para deter um plano do terrorista Rocco (Fred Ward), que pretende atacar na noite de entrega do Oscar. Frank vai se infiltrar na festa e como sempre se meter em confusão, principalmente numa hilária cena com a veterana estrela Raquel Welch. 

Nesta terceira parte David Zucker deixou a direção para Peter Segal (“Tratamento de Choque” e “Como Se Fosse a Primeira Vez” com Adam Sandler) e ficou apenas no roteiro. A série continua engraçada, mas aqui já mostrava que a fórmula estava desgastada, o que ficou claro nas recentes produções que seguem o gênero, sendo uma pior que a outra.

domingo, 28 de novembro de 2010

Resident Evil 4: Recomeço

Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife, Alemanha / França / Inglaterra, 2010) – Nota 6,5
Direção – Paul W. S. Anderson
Elenco – Milla Jovovich, Ali Larter, Wentworth Miller, Kim Coates, Shawn Roberts, Boris Kodjoe, Spencer Locke, Sienna Guillory, Sergio Peres Mencheta.

Após ajudar alguns sobreviventes a fugirem para o Alasca, Alice (Milla Jovovich) utilizando os poderes adquiridos pela mutação do T-Vírus, invade e destrói o laboratório da Umbrella Corporation e foge do local para tentar encontrar os amigos em Arcadia, no Alasca. Porém chegando lá, ela encontrará apenas Claire (Ali Larter) que está viva mas não se lembra de nada, inclusive atacando Alice. Após Claire ser controlada, as duas voltam de avião para Seattle e encontram alguns sobreviventes num edifício prisão rodeados por zumbis e novamente terão de lutar para sobreviver e tentar chegar a um local seguro. 

A volta de Paul W. S. Anderson a direção da série não traz nada de novo, apenas segue a história com altos e baixos. Eu não gostei das cenas de luta iniciais e finais, principalmente por copiarem o estilo “Matrix”, inclusive nos cenários, de um forma já desgastada. O restante do filme é legal, com algum suspense dentro da prisão e os ataques dos zumbis ao estilo George Romero. O diretor/produtor tenta puxar o público fã de seriados, já que além de Ali Larter que já trabalhava na série, desta vez foi criado um papel para Wentworth Miller, astro de “Prison Break” e para completar, o final deixa claro que uma quinta parte chegará aos cinemas em breve.


sábado, 27 de novembro de 2010

Once Brothers - A História de Vlade Divac e Drazen Petrovic


Once Brothers (Once Brothers, EUA, 2010) – Nota 9
Direção – Michael Tolajian
Documentário – Vlade Divac e Drazen Petrovic

No final dos anos oitenta a Iugoslávia era uma potência no futebol e no basquete, tendo sua melhor geração nos dois esportes, porém a Guerra dos Balcãs que devastou o pais e o dividiu em seis novas nações, separou amigos, famílias, matou uma infinidade de pessoas e não deixou que estes atletas levassem o país a uma glória maior. 

No futebol era o auge do Estrela Vermelha de Belgrado, que venceu a Copa dos Campeões e o Mundial Interclubes em 1991 e que tinha no elenco craques como Savicev, Jugovic, Prosinecki e Mihajlovic. Juntos com outros jogadores como Dragan Stojkovic levaram a Iugoslávia até a quartas de final da Copa do Mundo de 1990 na Itália e estavam entre os favoritos da Eurocopa 1992, porém o país foi punido e eles foram excluídos do torneio. A seleção tinha sérvios, croatas, bósnios e montenegrinos, assim com a equipe de basquete, sobre a qual este sensível documentário produzido pela ESPN conta a história da amizade entre o sérvio Vlade Divac e o croata Drazen Petrovic. 

O documentário é narrado por Divac e começa em 1988 quando ele e o sérvio Igor Paspalj, junto com os croatas Drazen Petrovic, Tony Kukoc e Dino Radja levaram a seleção iugoslava de basquete a medalha de prata nas Olimpíadas de Seul, depois ao título Europeu de 1989 e por fim ao Mundial de Basquete da Argentina em 1990 quando venceram os EUA e a Rússia, chegando ao auge do esporte. Como todos os envolvidos contam, a equipe era como uma família e a política não fazia parte da vida deles, porém na comemoração deste título, um radical invadiu a quadra para comemorar com a bandeira da Croácia e Divac tomou a bandeira do sujeito alegando que o país era a Iugoslávia. Este gesto fez com que a imprensa croata o transformasse em vilão e o croata Petrovic que era quase um irmão, ficou magoado e se afastou de Divac, causando o início da separação dos povos que formavam o país também no esporte. 

A guerra explodiu de vez e aquela seleção se separou, com os atletas croatas sendo pressionados para não conversarem com Divac. Nos depoimentos de hoje, Radja e Kukoc falam abertamente que tinham de se afastar com medo de retaliações e a amizade entre Petrovic e Divac que era grande não só pela seleção, mas por terem sido os dois primeiros europeus a jogar na NBA e que conversavam diariamente até o incidente da bandeira nunca se reatou, mesmo que Divac tenha tentado se aproximar. Petrovic era irredutível e o tempo ainda foi curto para curar as feridas, porque em 1993 ele faleceu num acidente de carro. 

Em 1995 um novo episódio onde a política ficou acima do esporte, a Iugoslávia novamente venceu o Campeonato Europeu e no momento de receber as medalhas a equipe da Croácia que ficara com o bronze se retirou, uma das mais tristes cenas do esporte, os que formaram uma única equipe cinco anos antes defendendo um país, se transformaram em inimigos mortais. Fica clara a tristeza de Divac, primeiro por não ter tido a chance de voltar a conversar com o amigo Petrovic, inclusive ele diz em um certo momento “demoramos anos para criar uma amizade e a perdemos em segundos” e segundo pela separação do país, além de acreditar que a Iugoslávia era sua pátria verdadeira, ele tinha esperança de quem saber vencer o Dream Team americano nas Olimpíadas de Barcelonas em 1992, caso a sua seleção ainda estivesse completa. 

A parte final do documentário é triste e emocionante, primeiro com Divac andando por Zagreb na Croácia após vinte anos, sendo reconhecido pelas pessoas, mas sem que alguém tenha coragem de vir falar com ele e apenas um sujeito vira para câmera e o chama de Chetnik, nome usado pelos grupos paramilitares sérvios que caçavam os croatas, ou seja, a ferida da guerra ainda não se fechou totalmente. E por fim, o emocionante encontro de Divac com a mãe e o irmão de Petrovic e a visita ao túmulo do amigo, onde ele deixou como lembrança uma foto deles abraçados comemorando o título de 1990, segundos antes do incidente com a bandeira e o fim da amizade.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Caçada na Noite & Mona Lisa



Antes de ficar famoso mundialmente após o sucesso de "Uma Cilada Para Roger Rabbit", o ator inglês Bob Hoskins tinha uma carreira sólida como coadjuvante em filmes como "Cotton Club" e "Brazil - O Filme), além de muitos trabalhos na tv inglesa. Nesta postagem destaco duas produções inglesas estrelados por Hoskins nos anos oitenta e ambientadas no submundo de Londres.

Caçada na Noite (The Long Good Friday, Inglaterra, 1980) - Nota 8
Direção – John Mackenzie
Elenco – Bob Hoskins, Helen Mirren, Eddie Constantine, Dave King, Bryan Marshall, Derek Thompson, Pierce Brosnan, Paul Freeman.

                                                                                     Em Londres nos anos setenta, Harold Shand (Bob Hoskins) é o chefão do crime na cidade, mas tudo muda em uma Sexta-Feira Santa quando sua gangue passa a ser atacada sem explicação, inclusive por membros do IRA (terroristas do Exército Repúblicano Irlandês). 
                                                                                   Ótimo drama policial com pitadas de política ambientada no submundo de Londres e com uma grande atuação de Hoskins e da sempre competente Helen Mirren, além de ser a estréia de Pierce Brosnan no cinema.

Mona Lisa (Mona Lisa , Inglaterra, 1986) - Nota 7
Direção – Neil Jordan
Elenco – Bob Hoskins, Cathy Tyson, Michael Caine, Robbie Coltrane, Sammy Davis, Clarke Peters.

O ex-presidiário George (Bob Hoskins) é contratado pelo gângster Mortwell (Michael Caine) para ser motorista de uma prostituta de luxo, a bela negra Simone (Cathy Tyson). Seu trabalho é levar a garota não apenas para os encontros profissionais, mas também para as coisas do dia a dia. Aos poucos o sujeito vai se apaixonando pela jovem e aceita procurar outra prostituta amiga dela que está desaparecida. Esta complicada relação de dois personagens problemáticos, pode levá-los a uma tragédia. 

Este foi o terceiro filme dirigido pelo competente Neil Jordan e mostra com realismo a vida de personagens marginais na Londres dos anos oitenta, valorizado pelo desempenho do ótimo elenco, principalmente o casal principal. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Presságio


Presságio (Knowing, EUA/Inglaterra/Austrália, 2009) – Nota 7
Direção – Alex Proyas
Elenco – Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterbury. Lara Robinson, Nadia Townsend, Ben Mendelsohn.

Num colégio em 1959, algumas crianças são convidadas a desenhar o que acreditam que existirá no futuro e estes desenhos serão colocados numa “cápsula do futuro”, que será enterrado no local e aberta apenas após cinqüenta anos. De todas as crianças, apenas a assustada Lucinda (Lara Robinson) ao invés de desenhar, escreve uma sequência enorme de números. 

Quando a cápsula é aberta em 2009, o papel de Lucinda é entregue ao garoto Caleb (Chandler Canterbury) filho do viúvo John (Nicolas Cage) e este leva para casa tentando descobrir o que significam aqueles números. Antes disso, o pai vê o papel é também fica intrigado, sendo ele um professor do famoso Instituto MIT de Tecnologia, tenta desvendar os números e descobre que a garota escreveu a data e o número de mortos de diversas tragédias, inclusive o incêndio que vitimou sua esposa e outros três desastres que ainda estão para acontecer em alguns dias. Este é o início da corrida de John para tentar impedir as catástrofes. 

A primeira parte do longa é intrigante, o roteiro prende a atenção quanto a previsão das tragédias acontecidas e as que estariam por vir, misturado com o desespero do personagem de Nicolas Cage. Não querendo contar muito sobre a história, mas a partir do momento em que entra em cena a personagem de Rose Byrne e sua filha, o roteiro despeja diversos temas no mesmo caldeirão, vida em outra planeta, ameaça solar e religião, com um final que pode ser considerado bíblico. 

Posso destacar duas cenas de tragédia, a espetacular sequência do avião caindo na rodovia e o exagerado desastre no metrô. No geral é um filme interessante apesar dos furos no roteiro.    

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Você Confia no Próximo?



Peço desculpas aos leitores do blog por hoje utilizar este espaço para escrever algo diferente de cinema.  

Conforme ficamos mais velhos, vamos nos deparando com situações semelhantes a que já vivemos e que na maioria das vezes mostra como o ser humano não é confiável. Não tenho como comparar com outros países, pois passei toda minha no Brasil, mas a cada dia percebo como está difícil viver por aqui, a quantidade de pessoas e empresas que vêem o próximo apenas como uma chance de lucrar é cada vez maior, estamos vivendo num local onde levar vantagem é o objetivo, vivemos sob a famosa “Lei de Gerson”.

Quando era criança ouvia que os golpes mais comuns eram aqueles perpetrados nas ruas, como a história do bilhete premiado, o jogo de bolinhas escondidas ou a venda do relógio falsificado. Hoje a história mudou e infelizmente temos de ficar espertos permanentemente, com a internet o número de golpes aumentou e muito. Qualquer um dentro de sua própria casa pode acabar sendo lesado, são cartões clonados, vírus enviados por e-mail, páginas falsas de bancos, entre diversos outros tipos.

Estas situações que citei são fora da lei, o conhecido estelionato, o pior são as situações legalizadas que na verdade são arapucas. Tenho certeza que todos que estão lendo aqui recebem quase que diariamente telefonemas de empresas de telemarketing tentando vender algum produto, são bancos oferecendo cartões, tv por assinatura, assinatura de jornais, venda de imóveis e até jazigos de cemitério. Os funcionários destas empresas ganham comissões por venda e tentam empurrar de tudo para o cliente, sempre utilizando a tática da venda no susto, onde o cliente não tem tempo de pensar e muitas vezes aceita algo que terá de pagar caro, sem o retorno garantido e quase que com certeza sem saber das reais condições do negócio. Estamos numa época onde a palavra não vale nada, qualquer negócio deve ser documentado  e mesmo assim corre-se o risco do prejuízo e da dor da cabeça posterior.

Outro problema atual é o crédito, que ao mesmo tempo que ajuda a economia a crescer, a forma que existe hoje é uma vergonha, principalmente pelos juros exorbitantes cobrados por bancos, financeiras e lojas. Enquanto o rendimento de uma conta poupança está em 0,5% ao mês, uma aplicação simples em torno de 1% e a inflação anual em 5%, estas instituições cobram taxas de até 10% em cartões de crédito e limites de conta. Outro absurdo é que as lojas possam além de emitir o cartão de crédito ainda emprestar dinheiro ao cliente com estas taxas absurdas, são verdadeiros agiotas legalizados. Uma loja tem a finalidade de venda de produtos, não empréstimo de dinheiro, mas como aqui é Brasil, vale tudo.


Eu poderia enumerar diversas situações em que tive de ser duro para não ser prejudicado e sei como isso cansa e irrita profundamente. É triste, mas criei alguns procedimentos básicos para diminuir as dores de cabeça.


1º - Enquanto puder não usarei cartão de crédito, não tento viver como monge, mas sempre procurei planejar o que comprar e se pensarmos bem não precisamos de tanto para viver bem.

2º - Dispense toda ligação que receber de alguma empresa de telemarketing oferecendo algum produto ou serviço. Mesmo que seja algo que você tenha interesse, não aceite, faça primeiro uma pesquisa sobre o produto ou serviço e se confirmar o interesse, entre em contato direto com a empresa.

3º - Em qualquer negociação, seja compra de produtos, serviço, apenas um pedido ou negociação de taxas e datas para pagamento, anote bem o nome da pessoa com quem conversou, a data do negócio e exija algum documento explicando detalhadamente o que foi acordado. Não acredite na palavra, como escrevi anteriormente, hoje em dia ela não vale nada.

4º - Não assine papel algum sem ler o total conteúdo do texto e se tiver alguma dúvida mostre primeiro para alguém que entenda do assunto, seja um advogado ou um profissional que conheça a área do referido serviço ou produto. Tome cuidado com vendedores e corretores principalmente, não podemos generalizar, mas a grande maioria quer apenas fechar a venda ou no mínimo amarrar o cliente para ganhar a comissão sobre a entrada paga. Muitos dizem que o negócio poderá ser desfeito, mas pode ter certeza que não será nada fácil.

5º - Em qualquer tipo de compra ou negociação, pesquise a idoneidade da empresa. Até alguns anos não era muito fácil, as pessoas escolhiam apenas pelo nome da empresa ser conhecida, porém hoje em dia existem diversos mecanismos de pesquisa.  A indicação pode ser útil quando for de alguma pessoa próxima e de confiança, mesmo assim ainda existe o risco do problema, nem sempre o que é bom para um agrada o outro. Outros dois métodos simples, fundamentais e ao alcance de todos são dois sites onde você verifica a quantidade de reclamações e se a empresa respondeu e resolveu a questão. Temos o Procon onde você pesquisa sobre a empresa e se quiser reclamar posteriormente precisará se dirigir pessoalmente a um posto de serviço. O segundo que é ainda mais fácil, completo e a chance da resposta ser bem rápida é grande, chama-se “Reclame Aqui”. Além de analisar a empresa por ranking de reclamações e pelo ramo de atuação, você verá a quantidade de reclamações, as explicações da empresa e a solução ou não do problema. É uma ferramenta simples e eficaz para conhecer com quem estamos negociando.



Infelizmente estes tipos de situação que descrevi, entre outras também nada agradáveis, aparecem em nossas vidas muitas vezes quando menos esperamos. O intuito desta postagem é alertar aos amigos do blog e conhecer a opinião de vocês a respeito deste assunto.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filmes Antigos de Ficção Cientifica



Nos anos cinquenta foram produzidos diversos filmes de baixo orçamento no gênero ficção científica, gerando alguns clássicos como "A Guerra dos Mundos", "O Dia em que a Terra Parou" e "O Monstro do Ártico". Os temas eram basicamente os mesmos, contato com alienígenas que chegavam à Terra e eram vistos como ameaça ou através de missões com destino a outros planetas, sendo que o Marte era o escolhido pela a maioria das produções.

Nesta postagem eu cito três filmes deste período, sendo o mais importante deles "O Planeta Proibido", longa citado em diversas listas com um dos melhores do gênero na época.

Para quem gosta do gênero e tem acesso ao Canal TCM, a dica é ficar de olho na programação que foca filmes antigos e regularmente inclui na grade longas antigos de ficção.


O Planeta Proibido (Forbidden Planet, EUA, 1956) – Nota 7,5
Direção – Fred M. Wilcox
Elenco – Walter Pidgeon, Anne Francis, Leslie Nielsen, Warren Stevens, Jack Kelly, Richard Anderson, Earl Holliman.

Este clássico da ficção B utiliza a idéia da peça “A Tempestade” de Shakespeare para contar a história de uma nave espacial de resgaste comandada por J. J. Adams (Leslie Nielsen), que tem a missão de verificar o que aconteceu no Planeta Altair IV que foi colonizado há mais de vinte anos, mas que perdeu o contato com a Terra. Chegando no estranho planeta, a tripulação descobre que estão vivos apenas o Dr. Morbius (Walter Pidgeon) e sua filha Alta (Anne Francis) e que todas as outras pessoas foram mortas por uma estranha força. Ainda terão de enfrentar a resistência do Dr. Morbius que parece não quer receber visitantes. 

O grande trunfo do filme sem dúvida é o belo desenho de produção, que lembra outro clássico da época, “Guerra dos Mundos” e com um belo colorido e bons efeitos especiais, o filme é uma ótima pedida para quem gosta do gênero. A grande curiosidade é ver Leslie Nielsen, conhecido há quase trinta anos apenas por papéis em comédias, aqui bem jovem vivendo o oficial sério e galã por quem a mocinha Anne Francis se apaixona. Outro detalhe interessante é o figurino da garota, que usa uma espécie de mini-saia antes mesmo desta ser inventada.

O Homem do Planeta X (The Man from Planet X, EUA, 1951) – Nota 5,5
Direção – Edgar G. Ulmer
Elenco – Robert Clarke, Margareth Field, Raymond Bond, William Schallert.

O jornalista John Lawrence (Robert Clark) é convidado pelo veterano Professor Elliott (Raymond Bond) para visitá-lo numa afastada ilha na Inglaterra, onde ele teve uma descoberta importante. Chegando no local, John encontra a filha do professor, Enid (Margareth Field) e um ex-aluno, o ambicioso Dr, Mears (William Schallert). O professor descobriu um planeta desconhecido está se deslocando em direção à Terra e deseja a presença do jornalista para registrar o fato. A questão muda, quando numa noite a jovem Enid encontra uma espécie de nave pousada atrás de uma colina e nela um ser estranho, que utiliza uma roupa especial ligada a um tubo para respirar. A princípio eles tentam dialogar com o ser e o levam para o laboratório, porém a ambição do Dr. Mears e um segredo que o alienígena trás, levará a um conflito. 

O longa é uma ficção de baixo orçamento, com cenários precários, como por exemplo uma colina onde os personagens passam diversas vezes ao longo do filme, um elenco pequeno com alguns coajudvantes bem fracos e uma história comum ao gênero, com o contato entre humanos e alienígenas acabando em conflito. Vale apenas como curiosidade para quem gosta do gênero.


O Planeta Vermelho Ameaçador (The Angry Red Planet, EUA, 1959) – Nota 4,5
Direção – Ib Melchior
Elenco – Gerald Mohr, Nora Hayden, Les Tremayne, Jack Kruschen, Paul Hahn, J. Edward McKinley.

Um foguete enviado para a Marte com quarto tripulantes perde contato com a Terra durante dias e de repente reaparece conseguindo pousar. Entretanto, retornam apenas a Dra. Iris Ryan (Nora Hayden) e o Coronel Thomas O’Bannion (Gerald Morh), ela em choque e o oficial infectado por algo desconhecido. Os médicos através do uso de drogas faz com que a Dra. Iris relembre o ocorrido e em flashback o espectador descobrirá o que aconteceu em Marte. 

Esta ficção de baixo orçamento tem um ritmo lento, com grande parte das cenas se passando dentro do foguete e utilizando uma terrível cor vermelha quando os tripulantes resolvem explorar Marte, onde vemos uma espécie de floresta e criaturas que lembram os filmes de Ed Wood. Além disso os diálogos são péssimos e o elenco canastrão ao extremo. 




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Predadores


Predadores (Predators, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Nimrod Antal
Elenco – Adrien Brody, Topher Grace, Alice Braga, Walton Goggins, Oleg Taktarov, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Luis Ozawa Changchien, Mahershalalhashbaz Ali.

Sete homens e uma mulher são jogados inconscientes de paraquedas numa floresta desconhecida. Todos estão armados e não se conhecem, mas precisam se unir para descobrir como foram parar naquele lugar e com qual objetivo. Rapidamente descobrem que todos são violentos, temos entre eles um mercenário (Adrien Brody), um condenado a morte (Walton Goggins), um miliciano checheno (Oleg Taktarov) e um traficante mexicano (Danny Trejo). Na tentativa de escapar da floresta, percebem que antes terão de sobreviver aos ataques de uma ameaça desconhecida. 

O roteiro é simples, lembra o filme original onde um grupo de militares era perseguido pelo predador numa floresta tropical e pega emprestado a idéia da ficção B “Cubo”, onde várias pessoas são seqüestradas sem saber porque e jogadas dentro de um gigantesco cubo cheio de armadilhas. 

As cenas de ação são bem filmadas, o elenco como na maioria dos filmes de ação tem personagens clichês, com a curiosidade de ver um grande ator como Adrien Brody se divertindo no papel de herói durão, além da brasileira Alice Braga, cada vez mais requisitada em Hollywood. 

O longa tem ainda uma estranha participação de Laurence Fishburne como um sujeito maluco, que tenta sobreviver há algum tempo naquele local.

domingo, 21 de novembro de 2010

Medo da Verdade


Medo da Verdade (Gone, Baby Gone, EUA, 2007) – Nota 8
Direção – Ben Affleck
Elenco – Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, John Ashton, Amy Ryan, Amy Madigan, Titus Welliver, Michael Kenneth Williams, Edi Gathegi, Mark Margolis.

Num bairro pobre de Boston, um garotinha é seqüestrada e a polícia não tem pistas. A família resolve procurar um casal de investigadores particulares, Patrick Kenzie (Casey Affleck) e Angie Genaro (Michelle Monaghan) para uma investigação paralela. Patrick mora no bairro a vida inteira e conhece desde policiais até traficantes e drogados que rondam o local, tendo em alguns casos acesso a melhores informações do que a polícia. A investigação do casal não agrada ao chefe de polícia (Morgan Freeman), mas que é obrigado a colocar dois veteranos detetives (Ed Harris e John Ashton) para dividir as informações com o casal e trabalharem em conjunto. Um detalhe importante é a desestruturada família da vítima, a jovem mãe (Amy Ryan) é viciada em drogas, o tio (Titus Welliver) é ex-detento e apenas a tia (Amy Madigan) parece realmente se importar com a criança, mesmo sendo uma pessoa desequilibrada. 

O longa é baseado num livro de Dennis Lehane, o mesmo escritor de “Sobre Meninos e Lobos”, com quem mantém algumas semelhanças. O roteiro mistura personagens honestos, traficantes, drogados e policiais num história que parece ser simples, mas que esconde diversos segredos que são revelados aos poucos e levam a um terrível dilema moral no final, onde o personagem extremamente bem interpretado por Casey Affleck é obrigado a fazer uma escolha complicadíssima. 

O restante do elenco ajuda em elevar a qualidade do longa, com Ed Harris se destacando no papel do policial veterano e a boa atriz Amy Ryan muito bem no papel da mãe drogada e inconseqüente. 

Outra agradável surpresa é a boa direção de Ben Affleck, que conduz a história com firmeza e sensibilidade, mostrando que pelos últimos papéis que teve como ator, tem potencial para ser tornar melhor como diretor. 

sábado, 20 de novembro de 2010

Missão Impossível II


Missão Impossível II (Mission: Impossible II, EUA / Alemanha, 2000) – Nota 7
Direção – John Woo
Elenco – Tom Cruise, Dougray Scott, Thandie Newton, Ving Rhames, Richard Roxburgh, John Polson, Brendan Gleeson, Rade Sherbedgia, William Mapother, Dominic Purcell.

O vilão Sean Ambrose (Dougray Scott) se disfarça como Hunt Ethan (Tom Cruise) para roubar um vírus chamado Quimera, que transmite uma gripe que mata em menos de um dia. Para tentar recuperar o vírus, Ethan monta um nova equipe que terá a participação de uma ex-namorada de Sean, Nyah (Tandie Newton). 

Novamente muita ação e correria são os pontos fortes do longa, com a parte final se passando na Austrália, onde a melhor sequência é uma perseguição de motos entre herói e vilão. Desta vez Tom Cruise chamou o especialista em filmes de ação John Woo para dirigir e o filme acabou se voltando mais a ação, sendo inferior no roteiro em relação ao original e na minha opinião perdendo ainda na escolha do vilão interpretado pelo canastrão Dougray Scott. 

O terceiro longa é superior a este, mas não alcança a qualidade do original.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Julgamento & O Mistério do Rosário Negro



Nesta postagem escrevo sobre dois filmes onde padres são personagens importantes na trama. Em um deles o padre vivido por Donald Sutherland é o herói e no outro o personagem de David Strathairn é o vilão.

O Julgamento (Judgment, EUA, 1990) – Nota 7
Direção – Tom Topor
Elenco – Keith Carradine, Blythe Danner, David Strathairn, Michael Faustino, Jack Warden, Bob Gunton, Dylan Baker, Mitchell Ryan, Robert Joy, Brad Sullivan.

Numa pequena cidade da Louisiana, onde grande parte das pessoas são católicas, explode um escândalo quando um casal (Keith Carradine e Blythe Danner) acusa o padre Frank (David Strathairn) de ter abusado de seu filho (Michael Faustino), que o ajudava nas misssas como coroinha. Como o padre é um sujeito querido na comunidade, muitas pessoas se voltam contra o casal iniciando uma disputa que terminará nos tribunais. 

Este telefilme é baseado em fatos reais e apesar de ter sido produzido há vinte anos, continua atual em virtude do polêmico tema que não sai das manchetes de jornal. Além da história, outro ponto alto é o elenco, com boa atuação do casal também na vida real Keith Carradine e Blyther Danner, do falecido Jack Warden e principalmente do sempre competente David Strathairn, que estrelou “Boa Noite, Boa Sorte”.

O Mistério do Rosário Negro (The Rosary Murders, EUA, 1987) – Nota 6
Direção – Fred Walton
Elenco – Donald Sutherland, Charles Durning, Belinda Bauer, Josef Sommer, Tom Mardirosian, Mark Margolis, Peter Van Norden.

Um Detroit, o padre Robert Koesler (Donald Sutherland) é abordado pela jornalista Pal Lennon (Belinda Bauer) após a morte de outro padre que estava em coma, em virtude de ter sido atacado pelo chamado “Assassino do Rosário”, que mata padres e freiras deixando um rosário negro nas mãos das vítimas. A princípio o padre Robert não se interessa pela ajuda da jornalista, mas a história muda quando o assassino resolve se confessar com ele e este não pode entregá-lo para polícia sem quebrar o sigilo sagrado da confissão, mesmo sabendo que o assassino voltará matar. 

O longa é baseado num livro de sucesso e foi adaptado para o cinema pelo escritor de histórias policiais Elmore Leonard. A história tem bom desenvolvimento, com a interessante investigação pessoal conduzida pelo padre Robert que ainda mostra um pouco da vida de padres e freiras sem as batinas, principalmente o personagem de Donald Sutherland que age mais como investigador do que padre.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Chico Xavier


Chico Xavier (Brasil, 2010) – Nota 7,5
Direção – Daniel Filho
Elenco – Nelson Xavier, Ângelo Antonio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luís Melo, Pedro Paulo Rangel, Cássio Gabus Mendes, Giovanna Antonelli, André Dias, Paulo Goulart, Cássia Kiss, Rosi Campos, Carla Daniel, Ailton Graça, Nildo Parente, Ana Rosa, Anselmo Vasconcelos.

A adaptação para o cinema da vida de Chico Xavier resultou num interessante filme, que mistura bem drama com algumas cenas de humor, tendo ainda um roteiro que procura humanizar ao máximo a figura do lendário do médium. 

O personagem é interpretado muito bem por três atores em diferentes fases da vida: Na infância o ótimo Matheus Costa passa todo o sentimento de angustia pela perda da mãe (Letícia Sabatella) e depois da madrasta (Giovanna Antonelli), a tristeza e o sofrimento no pouco tempo em que viveu com a malvada madrinha (Giulia Gam), além da difícil aceitação dos familiares e conhecidos em relação ao dom do garoto, que já na época via espíritos e conversava com a falecida mãe. A segunda parte é interpretada por Ângelo Antonio, que descobre ser médium através de dois outros espiritualistas (Ana Rosa e Anselmo Vasconcelos), passando a atender doentes e necessitados em sua pequena casa sem cobrar nada, o que criará conflitos com sua família. Enquanto vemos a sua vida em flashback, o filme corta para cenas na década de sessenta quando o médium é o entrevistado de um famoso programa da época, o “Pinga Fogo”, onde interpretado por Nelson Xavier , ele responde a todos os tipos de perguntas sobre seu trabalho e questionamentos sobre a veracidade de seu contato com os espíritos. 

O longa conta ainda uma história paralela sobre o diretor do programa “Pinga Fogo” vivido por Tony Ramos, um sujeito que perdeu o filho e por conseqüência seu casamento está abalado, mas que receberá uma carta psicografada por Chico e isso mudará sua vida e de sua esposa vivida por Christiane Torloni. 

Como muitos filmes brasileiros, este é interessante quando ao tema mas peca em alguns aspectos, como ao mostrar o espírito Emanuel vivido pelo inexpressivo ator André Dias, onde ainda os especialistas dizem que pelos livros o espírito é forte e disciplinador, o que é mostrado apenas em parte no longa. Além deste personagem, alguns outros também aparecem pouco ou são mal aproveitados, principalmente interpretados por astros globais, como os fracos Cassio Gabus Mendes e Giovanna Antonelli, mas por outro lado posso destacar o ótimo padre interpretado por Pedro Paulo Rangel e o pai de Chico Xavier feito por Luís Melo. 

No final é um bom filme e uma merecida homenagem a um personagem que apesar de controverso para aqueles que não acreditam, deve ser louvado principalmente pelo sua generosidade com o próximo,

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cidade do Silêncio


Cidade do Silêncio (Bordertown, EUA, 2006) – Nota 6
Direção – Gregory Nava
Elenco – Jennifer Lopes, Antonio Banderas, Martin Sheen, Maya Zapata, Sonia Braga, Juan Diego Botto, Randall Battinkoff, Rene Rivera.

Na década de noventa na cidade de Juarez na divisa do México com os EUA, foi preso um homem conhecido como “O Egípcio” acusado de ser o responsável por diversos estupros seguidos de morte. A questão é que estes crimes não pararam após a prisão do sujeito, por sinal aumentaram e a cidade é considerada o local onde desaparecem mais pessoas na América Latina. 

Conhecedor desta história, o diretor americano de origem latina Gregory Nava, resolveu filmar uma versão baseada em fatos reais sobre o acontecido e convidou Jennifer Lopez e Antonio Banderas para participar deste longa. Nava já havia dirigido Lopez na biografia da falecida cantora Selena e provavelmente por isso conseguiu o sim da atriz, porém as filmagens foram complicadas pelas autoridades mexicanas, inclusive com a dupla principal não podendo filmar em Juarez. 

A história começa quando a jovem Eva Jimenez (Maya Zapata) é seqüestrada por aum motorista de ônibus após sair da fábrica onde trabalhava e em seguida é violentada por ele e um segundo homem. A jovem sobrevive por um milagre e acorda numa cova rasa, onde consegue sair e vai procurar ajuda com o jornalista Alfonso Diaz (Antonio Banderas), que dirige um jornal independente na cidade. Ao mesmo tempo, a jornalista americana Lauren Adrian (Jennifer Lopez) é enviada por seu jornal para cobrir os crimes em Juarez e acaba se envolvendo com o drama da jovem Eva e a luta de Alfonso, um velho conhecido. 

O filme em si é confuso e exagerado em algumas passagens, mesmo dizendo ser baseado em fatos reais, fica difícil acreditar em algumas cenas e atitudes da personagem de Jennifer Lopez, mas o que vale na realidade é a denúnica, que vai além dos crimes, passando pelo rabo preso das autoridades mexicanas que preferem jogar a sujeira debaixo do tapete ao invés de investigar os casos a fundo, com medo de espalhar o medo e entrar em conflito com as multinacionais americanas de eletrônicos que montam suas fábricas na cidade e pagam um salário miserável tratando praticamente como escravos os funcionários, em sua maioria mulheres, ou seja, o problema é muito maior do que parece.

 Como curiosidade, a brasileira Sonia Braga faz o papel de um mulher que tenta ajudar as vítimas dos crimes na cidade, mas que pouca força tem para mudar alguma coisa.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

007 A Serviço Secreto de Sua Majestade


007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (On Her Majesty’s Secret Service, Inglaterra, 1969) – Nota 7
Direção – Peter Hunt
Elenco – George Lazenby, Diana Rigg, Telly Savalas, Gabriele Ferzetti, Ilse Steppat, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewellyn.

O longa começa com James Bond (George Lazenby) salvando uma jovem (Diana Rigg) do suicídio e fazendo uma espécie de acordo com o pai da garota, um poderoso bandido que oferece a jovem como esposa para Bond para que ela a proteja e em troca passa informações sobre um plano terrorista do chefe da organização criminoso Spectre, Ernst Stavro Blofeld (Telly Savalas). Com a intenção de matar Blofeld, Bond aceita o acordo e durante a caçada ao sujeito ele acaba se apaixonando de verdade pela jovem, o que terminará em uma tragédia. 

Quando Sean Connery desistiu do papel de James Bond após “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, os produtores correram para encontrar um substituto e escolheram o desconhecido australiano George Lazenby, o que se mostrou um grande erro. Este único filme estrelado por Lazenby não é ruim, tem boas cenas de ação nos Alpes Suiços, inclusive uma ótima perseguição de trenó, mas peça na interpretação inexpressiva do ator. Fosse um filme com Connery ou Roger Moore, com certeza teria sido bem melhor recebido, apesar de que a tentativa de mudança do personagem, inclusive com ele se casando não agradou a todos os fãs, mas com um ator melhor poderia ser visto apenas como um diferencial na série. 

Depois do fracasso, os produtores abriram os cofres e pagaram uma fortuna para a volta de Connery ao papel dois anos depois em “Os Diamantes São Eternos”, último filme oficial de Connery como Bond, que faria ainda “Nunca Mais Outra Vez” em 1983, que não é considerado um longa da série.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Entre os Muros da Escola


Entre os Muros da Escola (Entre Lers Murs, França, 2008) – Nota 8
Direção – Laurent Cantet
Elenco – François Begaudeau, Franck Keita, Rachel Regulier, Esmeralda Ouertani.

Este filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes é o retrato do caldeirão étnico de uma escola pública nos arredores de Paris. O roteiro é baseado num livro de François Begaudeau, que mesmo não sendo ator acabou sendo escolhido para interpretar o personagem que criou, o professor François Marin. 

A história se passa durante um ano numa classe onde o professor leciona francês e precisa ter jogo de cintura para lidar com os adolescentes, não só pelos problemas normais da idade, mas também pelas diferenças étnicas entre eles. Na classe temos africanos, alguns de Mali na África Negra, outros marroquinos de origem árabe, misturados com alunos das Antilhas, um chinês e vários franceses da classe baixa. 

São vários os problemas e as situações de conflito durante o ano, desde duas alunas que questionam tudo, passando por um aluno de origem congolesa que não se interessa pelas aulas e que será o centro de um grande problema, chegando na dificuldade de contato do professor com os pais e por fim o sistema educacional francês que entra na discussão. Sem contar a questão punitiva em relação a indisciplina e a organização do local apesar da simplicidade, esta história poderia se passar numa escola do Brasil ou de qualquer outro país. 

A dificuldade do jovem pobre e no caso deste filme do imigrante ou filho deste, é mostrada de modo real, quase como um documentário, ficando claro nos debates acalorados em classe, com alguns alunos questionando o professor por sua origem burguesa e as discussões entre eles mesmos, tendo como exemplo quando alguns alunos citam torcem para as seleções de futebol dos seus países de origem e outros dizem torcer para a França onde vivem.

É um filme que deveria ser obrigatório para todos os cursos de pedagogia, para mostrar a realidade e as dificuldades da profissão de professor.

domingo, 14 de novembro de 2010

Animal 1 & 2



Animal (Animal, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – David J. Burke
Elenco – Ving Rhames, Terrence Howard, Jim Brown, Chazz Palminteri, Wes Studi, Faizon Love, Taraji P. Henson, Paula Jai Parker, Beverly Todd.

James “Animal” Allen (Ving Rhames) é um sujeito violento envolvido no tráfico de drogas em Los Angeles. Após ser preso, a mãe de seu filho (Paula Jai Parker) é assassinada e o garoto acaba sendo criado pela avó (Beverly Todd). Na cadeia, James conhece um prisioneiro veterano e ex-ativista político (Jim Brown), que procura mostrar que a violência é uma escolha e que apenas  com sua própria atitude poderá mudar de vida, se quiser é claro. Estes ensinamentos fazem com que James ao sair da cadeia tente se aproximar de seu filho Darius (vivido na fase adulta por Terrence Howard), que segue o mesmo caminho marginal do pai. 

Em alguns pontos a história até que é interessante, principalmente ao explicar a origem da palavra linchamento, que vem de William Lynch, um sujeito que no século XVIII criou uma espécie de cartilha para fomentar o ódio entre os negros para dominá-los com maior facilidade e violência. Ving Rhames está bem no papel do sujeito que tenta sair do caminho do crime e Terrence Howard também não compromente, porém o resultado final é apenas razoável.

Animal 2 (Animal 2, EUA / Canadá, 2007) – Nota 5
Direção – Ryan Combs
Elenco – Ving Rhames, K. C. Collins, Vicellous Shannon, Yannick Bisson, Deborah Valente, Conrad Dunn.

Neste continuação do filme de 2005, James “Animal” Allen (Ving Rhames) cumpre pena após assumir  um crime cometido por seu filho (Vicellous Shannon que substitui Terrence Howard). Ele tenta não entrar em conflitos, porém após uma rebelião acaba sendo transferido para outra penitenciária onde é chantageado por um dos lideres do local, o “pastor” Kasada (Conrad Dunn). Animal é obrigado a participar de lutas dentro do local para que seu outro filho (K. C. Collins) não seja acusado e preso por um crime que não cometeu. 

O filme original tinha uma história interessante, que mostrava como um homem poderia mudar suas atitudes, além das raízes da violência entre os negros americanos pobres. No elenco além de Rhames, tinha também o bom ator Terrence Howard  como seu filho. Tudo isso se perde nesta continuação, que basicamente foca na violência dos filmes sobre prisão e cria uma investigação com cara de seriado, resultando numa obra fraca.

sábado, 13 de novembro de 2010

Intrigas de Estado


Intrigas de Estado (State of Play, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Kevin Macdonald
Elenco – Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Helen Mirren, Robin Wright Penn, Jason Bateman, Jeff Daniels, Michael Berresse, Henry Lennix, Josh Mostel, Michael Weston, Barry Shabaka Henley, Viola Davis.

Numa certa noite dois sujeitos são baleados, um rapaz negro que morre na hora e um branco que fora testemunha do crime fica em coma. Na manhã seguinte,  a assessora do deputado Stephen Collins (Ben Affleck) morre num suspeito acidente no metrô. Os dois fatos aparentemente sem ligação são investigados pelo veterano repórter Cal McAffrey (Russell Crowe), o primeiro apenas pela parte profissional e o segundo por ser amigo de Carl. A situação fica estranha quando aparece a notícia de que a jovem morta era amante do deputado, que acredita estar sendo perseguido por um grande corporação que presta serviços militares ao governo, empresa esta que o deputado trava conflito durante uma audiência pública. 

Ao mesmo tempo que Cal se interessa pelo caso, sua chefe, a editora Cameron Lynne (Helen Mirren) coloca a novata Della Frye (Rachel McAdams) para tentar tirar alguns detalhes do sujeito e publicar no blog do jornal,  porém o esperto veterano dá um chega prá lá na novata a princípio, mas acaba se unindo a jovem para se aprofundar nas duas investigações. 

Este interessante triller busca inspiração no clássico “Todos os Homens do Presidente” de Alan J. Pakula para mostrar os bastidores sujos da política e o papel da imprensa em denunciar estas situações. Sem ser sensacional, o filme é eficiente ao criar uma trama que poderia ser real e ainda utiliza temas atuais como o interesse econômico em manter os soldados americanos no Iraque e as mudanças pelas quais passa a imprensa, onde o veterano jornalista que procura se aprofundar antes de escrever sobre um tema, entra em conflito com os jovens que procuram rapidez e tem na internet a ferramenta para suas matérias. 

Para quem gosta do gênero o filme prende a atenção nos detalhes e tem no elenco de bons atores outro ponto forte, até mesmo Ben Affleck convence no papel do político almofadinha.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Homem do Prego


O Homem do Prego (The Pawnbroker, EUA, 1964) – Nota 7,5
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Rod Steiger, Geraldine Fitzgerald, Brock Peters, Jaime Sanchez, Raymond St Jacques, Thelma Oliver.

Sol Nazerman (Rod Steiger) é um judeu que sobreviveu ao campo de concentração e hoje é dono de uma loja de penhores num bairro pobre de Nova Iorque. Sujeito extremamente ressentido pelo que sofreu na guerra, onde perdeu sua família, Sol trata todos a sua volta sem o menor sentimento, sejam as pessoas humildes que penhoram seus objetos por uma miséria, passando pela namorada e o sogro a quem ele trata com frieza e chegando ao seu empregado, o latino Jesus Ortiz (Jaime Sanches), um jovem com alegria de viver, que namora uma prostituta e tenta sair da vida de pequenos roubos a que estava acostumado. Toda esta frieza de Sol é um escudo criado para tentar esquecer o passado e estas atitudes o levarão a uma nova tragédia. 

Dirigido por Lumet no mesmo ano em que ele fez o clássico contra a guerra “Limite de Segurança”, este drama é um interessante relato das conseqüências na vida dos sobreviventes do Holocausto. O personagem de Rod Steiger é um exemplo de que como uma situação extrema e a tragédia podem mudar o comportamento de uma pessoa e neste caso numa cena no metrô fica claro que o personagem sofre o que é hoje é conhecido como “Síndrome do Pânico”, além de outras atitudes típicas de uma pessoa com depressão. 

Não é uma história fácil de acompanhar, principalmente pelos personagens problemáticos e a margem da sociedade, mas vale para conhecer um filme menor na carreira do ótimo Lumet.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Duna - O Mundo do Futuro


Duna – O Mundo do Futuro (Dune, E UA, 1984) – Nota 6
Direção – David Lynch
Elenco – Kyle MacLachlan, Sean Young, José Ferrer, Silvana Mangano, Sting, Kenneth McMillan, Jurgen Prochnow, Max Von Sydow, Linda Hunt, Dean Stockwell, Freddie Jones, Francesca Annis. Virginia Madsen, Richard Jordan, Brad Dourif, Everett McGill, Jack Nance, Sian Phillips, Alicia Witt.

Hoje o cinema perdeu o produtor italiano Dino de Laurentiis aos noventa e um anos. Dino era ator e após a 2º Guerra se transformou em produtor, trabalhando primeiro com diretores como Roberto Rossellini (pai de Isabella Rossellini) e Fellini, depois dividindo os créditos em produções internacionais famosas como "Ulisses", "Guerra e Paz" e "A Bíblia", entre outros longas. Nos anos setenta mudou seu trabalho para os EUA e produziu diversos longas, alguns bons como "Serpico", "Desejo de Matar", "Conan" e "Na Época do Ragtime" e outros grandes fracassos como "Flash Gordon", "Comboio do Terror" e este "Duna".

A história se passa no ano 10.190 num planeta conhecido como Duna, onde três grupos vivem num espécie de sistema feudal futurista. Temos os Atreides, aristocratas liderados pelo Duque Leto Atreides (Jurgen Prochnow), os nobres bárbaros Harkonnens, liderados pelo Barão Vladimir Harkonnen (Kenneth McMillan) e os nômades que vivem no deserto, os Freemans. Quando o Duque Leto é assassinado pelos Harkonnens numa disputa por uma espécie de droga valorizada, conhecida como especiaria, seu filho Paul (Kyle MacLachlan) e sua esposa Lady Jessica (Francesca Annis) fogem para o deserto e se juntam aos Freemans. No deserto, Paul entrará contato com a droga e descobrirá ser o Messias que eles esperam para liderá-los na luta contra os Harkonnens. 

Esta adaptação do livro de Frank Herbert foi um grande fracassso de bilheteria, principalmente pelas divergências entre Dino de Laurentiis e o diretor David Lynch. Lynch filmou pensando num longa com mais de três horas de duração, porém de Laurentiis temendo o fracassso, resolveu cortar o filme e lançá-lo com pouco mais de duas horas, acreditando que seria melhor comercialmente. O resultado foi um erro que tornou a história confusa e com passagens narradas pelo personagem principal vivido por Kyle MacLachlan para substituir as cenas. Anos depois David Lynch lançou sua versão na tv americana e esta foi melhor recebida pelos críticos, apesar da longa duração. O elenco de famosos, os cenários grandiosos e os efeitos especiais ajudaram a inflar o orçamento para incríveis quarenta e cinco milhões de dólares na época, com certeza um dos maiores fracasssos da história do cinema. 


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Amor Sem Fronteiras


Amor Sem Fronteiras (Beyond Borders, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Angelina Jolie, Clive Owen, Teri Polo, Linus Roache, Noah Emmerich, Yorick Van Wageningen.

Sarah Jordan (Angelina Jolie) é casada com o inglês Henry Bauford (Linus Roache) e vive em meio a classe alta inglesa. Jovem mimada, ela muda seu pensamento quando durante uma festa o médico Nick Callahan (Clive Owen) invade o local com um garoto africano e cobra da elite uma ajuda para seu trabalho na África. Curiosa com o assunto e encantada pelo médico, Sarah resolve participar do trabalho e viaja para África onde se depara com uma triste realidade e começará sua mudança de pensamento. Durante anos ela mantém um caso mal resolvido com o médico sem separar do marido, até que Nick acaba sendo seqüestrado na Chechênia e ela fará de tudo para tentar resgatar seu amor. 

O longa é um folhetim romântico que utiliza a pobreza e a violência em países do terceiro mundo como parte do drama entre o casal. O filme foi massacrado pela crítica na época do lançamento, mas se não tem a qualidade de um “O Jardineiro Fiel” ou “Hotel Ruanda”, ao menos tem uma boa direção e locações extremamente bem aproveitadas, além do ótimo casal principal. Os pontos negativos principais são a previsível e complicada história de amor, além de algumas situações um tanto quanto forçadas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

X-Men 2

X-Men 2 (X2, Canadá / EUA, 2003) – Nota 8
Direção – Bryan Singer
Elenco – Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, James Marsden, Anna Paquin, Rebecca Romijn Stamos, Brian Cox, Alan Cumming, Bruce Davison, Aaron Stanford, Shawn Ashmore, Kelly Hu, Katie Stuart, Daniel Cudmore, Shauna Kain.

Nesta sequência os mutantes continuam a serem perseguidos, principalmente após Noturno (Alan Cumming) tentar assassinar o presidente americano. Este fato faz com que a opinião pública se vire totalmente contras os mutantes e o governo dê carta branca ao General William Styker (Brian Cox) para persegui-los. Esta situação fará com o Professor Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) esqueçam suas diferenças e tenham de se unir para salvar os mutantes. Ao mesmo tempo Wolverine (Hugh Jackman) está no Canadá com o obejtivo de descobrir suas origens e novamente será o personagem principal neste novo desafio. 

Após o sucesso do original, Bryan Singer teve maior segurança para aumentar o número de mutantes e criar uma história ainda mais elaborada e cheia de ação nesta continuação que se revela um filme melhor ainda. Com uma duração maior, ele conseguiu dar importância a outros mutantes, como Pyro (Aaron Stanford), o Homem de Gelo (Shawn Ashmore) e Vampira (Anna Paquin). Infelizmente o diretor desistiu de comandar o terceiro filme e o resultado acabou sendo inferior aos dois primeiros longas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Rios Vermelhos 1 & 2




Rios Vermelhos (Les Rivieres Pourpres, França, 2000) – Nota 7,5
Direção – Mathieu Kassovitz
Elenco – Jean Reno, Vincent Cassel, Nadia Fares, Dominique Sanda, Jean Pierre Cassel, Karim Belkhadra.

O veterano e solitário detetive Pierre Niemans (Jean Reno) é encarregado de investigar uma morte ocorrida dentro de uma universidade tradicional nos Alpes Franceses. Ao mesmo tempo em outro local, o jovem e impetuoso policial Max Kerkerian (Vincent Cassel) investiga um caso onde um túmulo de uma criança foi profanado. As duas investigações correm em paralelo até que se encontram e obrigam os dois policiais de temperamentos distintos a trabalharem juntos. 

O diretor e ator Mathieu Kassovitz que foi aclamado pelo longa “O Ódio”, também com Vincent Cassel, aqui utiliza elementos tipicamente do cinema americano para criar um ótimo filme policial de suspense. O tema principal é a caça a um serial killer, tema recorrente aos filmes de Hollywood, mas que ganha força ao situar a ação nos gelados Alpes Franceses. A dupla principal está perfeita na composição dos personagens, os dois são talentosos e carismáticos, tendo ótimos diálogos entre si e ajudando a prender a atenção do espectador até a reviravolta final. O longa lembra em parte o ótimo “Seven”. Foi produzida uma sequência em 2004, apenas com Jean Reno voltando ao papel.

Rios Vermelhos 2 – Anjos do Apocalipse (Les Rivieres Pourpres II – Les Anges de L’Apocalypse, França / Itália / Inglaterra, 2004) – Nota 6,5
Direção – Olivier Dahan
Elenco – Jean Reno, Benoit Magimel, Christopher Lee, Camille Natta, Johnny Hallyday.

Nesta sequência do sucesso de 2000, o agora comissário Pierre Niemans (Jean Reno) é encarregado de investigar a morte de um homem emparedado num mosteiro com símbolos religiosos. Ao mesmo o tempo, o policial Reda (Benoit Magimel) encontra um sósia de Jesus Cristo agonizando na frente de um igreja. Seguindo o esquema do filme original, as duas investigações se encontram e a dupla de policiais terá a ajuda de Marie (Camille Natta), uma especialista em história da religião. 

Apesar de não ser tão bom quanto o original, a história prende a atenção misturando novamente investigação policial com suspense e um ainda uma misteriosa seita. Do original apenas Jean Reno voltou ao papel, mas mesmo assim é um interessante suspense que tem ainda a participação do veteraníssimo Christopher Lee. 

domingo, 7 de novembro de 2010

Estrada Para Perdição


Estrada para Perdição (Road to Perdition, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Sam Mendes
Elenco – Tom Hanks, Paul Newman, Jude Law, Daniel Craig, Tyler Hoechlin, Jennifer Jason Leigh, Ciaran Hinds, Dylan Baker, Stanley Tucci, Liam Aiken.

O diretor Sam Mendes ficou famoso com o ótimo drama cínico sobre a classe média americana “Beleza Americana”. Aqui em “Estrada para Perdição” ele não consegue alcançar o mesmo nível, mas entrega um bom trabalho. 

A trama gira em torno do assassino Michael Sullivan (Tom Hanks), que foi criado pelo mafioso John Rooney (Paul Newman) e hoje mesmo casado e com dois filhos continua na “profissão” por achar que deve sua vida ao velho mafioso. As coisas mudam quando Connor (Daniel Craig), o filho de John Rooney comete um assassinato que é presenciado pelo filho de Michael, o que vai gerar desconfiança entre os bandidos e uma série de traições e assassinatos. 

O filme tem personagens que sabem muito bem o mal que causam, mas em virtude de laços familiares e lealdade não pensam duas vezes em eliminar o oponente, sendo um tipo de análise onde mostra que o ambiente influencia e muito nas atitudes das pessoas, o maior exemplo é o papel de Michael, criado na máfia ele é um assassino frio, porém trata seus filhos e esposa com um grande carinho e gentileza, um homem de duas vidas.

sábado, 6 de novembro de 2010

Sexta-Feira 13 - Partes II, III e IV




Sexta-Feira 13 – Parte II (Friday the 13th Parth 2, EUA, 1981) – Nota 6
Direção – Steve Miner
Elenco – Adrienne King, Amy Steel, John Furey, Kirsten Baker, Stuart Charno.

Esta sequência começa com o assassinato da garota (Adrienne King) sobrevivente do primeiro filme.  A história pula para cinco depois quando um grupo de jovens está pronto para reabrir o acampamento em Crystal Lake, mas Jason aparecerá para saciar sua vingança. 

O roteiro apesar de alguns furos ainda tenta seguir a história contada no filme anterior e tem como mérito ser um dos mais violentos das série. Além disso, o final do longa deixava a dúvida da morte ou não de Jason, já preparando o espectador para a terceira parte. 

O detalhe é que estes dois longas foram dirigidos por Steve Miner, que estreava na função e posteriormente faria outros filmes de terror como “A Casa do Espanto” e “Warlock – O Demônio”. Como curiosidade, Miner é o único a dirigir mais de um filme da série.





Sexta-Feira 13 – Parte III (Friday the 13th Parth III, EUA, 1982) – Nota 4
Direção – Steve Miner
Elenco – Dana Kimmell, Paul Kratka, Tracie Savage, Jeffrey Rogers, Catherine Parks.

A terceira parte da saga de Jason desce a ladeira na questão da lógica, com o roteiro focando apenas nas mortes e colocando vários personagens na tela apenas para morrer. A história começa nos minutos finais do longa anterior e segue o dia seguinte, quando outro grupo de jovens resolve passar o dia numa cabana próxima a Crystal Lake e se transformam no alvo de Jason, que mesmo já tendo terminado sua vingança conforme o roteiro original, continuará a matar inocentes sem dó nem piedade. 

O longa foi lançado na época em 3D, assim como “Tubarão III” feito em 1984 e talvez por isso o diretor tenha se preocupado apenas com as cenas de violência. Outro detalhe, foi nesta parte que Jason começou a utilizar a famosa máscara de hóquei.

Sexta-Feira 13 IV – Capítulo Final (Friday the 13th: The Final Chapter, EUA, 1984) – Nota 5
Direção – Joseph Zito
Elenco – Kimberly Beck, Peter Barton, Corey Feldman, Erich Anderson, Crispin Glover, Barbara Howard, Lawrence Monoson, Judie Aronson.

O longa começa com a polícia recolhendo os mortos do filme anterior e levando o corpo de Jason com um machado enfiado na cabeça ao necrotério. Como a série precisava continuar, Jason não está morto e sai do necrotério para retomar seu caminho de assassinatos violentos. 

Novamente temos um roteiro fraco, com a história se passando um dia após a parte II e dois dias após a parte III e mesmo após algumas dezenas de mortes, um novo grupo de jovens vai para Crystal Lake se divertir. O longa ganha um ponto a  mais que o anterior pelo interessante final, que na cabeça do diretor Joseph Zito seria o encerramento da série. Zito é o responsável por filmes de ação B como “Braddock” e “Invasão aos EUA” com Chuck Norris e “Red Scorpion” com Dolph Lundgreen. 

Outro ponto interessante é o elenco, com alguns atores que tiveram certa fama, como Crispin Glover que trabalharia em “De Volta Para o Futuro” e “As Panteras”, Lawrence Monoson que fez “O Último Americano Virgem”, longa fraco mas que fez algum sucesso nos anos oitenta e o garoto na época Corey Feldman, que tem um currículo melhor que muito astro, tendo trabalhado em filmes como “Os Goonies”, “Os Garotos Perdidos” e “Conta Comigo”.