sábado, 31 de maio de 2008

Desafio

"Cinema: Verdade da Imaginação"

Fui convidado por meu amigo de Portugal Red Dust, do blog http://osfilmescinema.blogspot.com/ para um desafio e aceitei com prazer. Escrever ou citar uma frase sobre nós mesmos e encontrar uma imagem que reforce a idéia. Esta frase deve conter o menor número de palavra possíveis, sendo o seis o número ideal.

Tive algumas idéias, pensei em utilizar alguma frase de um grande escritor como Carlos Drummond de Andrade ou alguma tirada sarcástica do fantástico Groucho Marx, mas preferi utilizar esta simples frase de autoria desconhecida. Tenho ela na lembrança desde o início dos anos noventa, quando frequentando várias salas de cinema em São Paulo Capital onde resido, esta frase era sempre citada para a apresentação de algumas destas salas antes da exibição do filme, agradecendo ao público pela presença e explicando tudo o que aquele cinema oferecia.

A frase apesar de extremamente simples diz muito para quem aprecia o cinema, no meu caso sem nunca ter saído do Brasil já conheci o mundo inteiro. Através dos meus olhos e da minha imaginação viajei pelas Pirâmides do Egito, pelas praias australianas, pelas selvas do Vietnã, pelo deserto do Saar, pela rota 66, conheci o Alasca, o Coliseu de Roma, a Torre Eiffel, a lua, o espaço sideral, entre tantos outros lugares, além de aprender muito sobre a história do mundo e seus personagens, sobre geografia, línguas, países, costumes, culinária e um enorme número de assuntos que ajudam a enriquecer minha vida.

Passo esta desafio para mais quatro amigos (entre tantos outros) que sempre me dão o prazer de visitarem meu blog e deixar suas opiniões.

Rodrigo - http://20poucos20.blogspot.com/
Cecília - http://cinemacena.blogspot.com/
Isabela - http://movie-junkies.blogspot.com/
Pedro Henrique - http://tudoecritica.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sideways - Entre Umas e Outras

Ficha Técnica:
Sideways - Entre Umas e Outras (Sideways, EUA, 2004)
Direção: Alexander Payne
Elenco: Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh, Jessica Hecht, Missy Doty, M. C. Gainey.

Este filme foi uma supresa agradável encomendada pelo bom diretor Alexander Payne, que vem demonstrando a cada trabalho seu talento em misturar bem drama com comédia, nos apresentando personagens comuns, que tem qualidades e virtudes como qualquer pessoa em situações que com certeza já vimos no nosso dia.

Em "Eleição" ele mostra como uma simples eleição de conselho em um colégio pode se transformar em uma guerra, com pessoas normais tomando atitudes imaturas apenas para vencer. Depois ele fez "As Confissões de Schmidt", onde com a ajuda do talento de Jack Nicholson, mostra os dois lados da terceira idade, tanto a alegria de viver de alguns, como a solidão e sentimento de quem chegou nela, mas não se preparou para aproveita-la

Aqui em "Sideways" o ótimo Paul Giamatti ganha seu primeiro papel principal como um escritor fracassado que após uma separação convida seu amigo, o ator desempregado vivido por Thomas Haden Church, para uma viagem pelas vinícolas da Califórnia antes do casamento deste. Pessoas com temperamentos opostos, o escritor deprimido e o ator de bem com a vida, irão conversar sobre diversos temas como casamento, amor e vinhos, além de se envolverem com duas mulheres vividas por Virginia Madsen e Sandra Oh.

Como escrevi no início, o diretor dosa muita bem a comédia com o drama, com ótimos diálogos e um elenco afiado, que além de elevar Giamatti à protagonista, ressuscita as carreiras de Haden Church que por muitos anos trabalhou no seriado "Cheers" e como o ator que ele interpreta, há um bom tempo sem um papel decente, além de Virginia Madsen que fez algum sucesso nos anos oitenta, principalmente com o filme "Candyman" e estava fazendo pequenos trabalhos apenas. Completando o elenco, Sandra Oh do seriado "Grey's Anatomy" que era esposa do diretor Payne na época, também defende muito bem seu papel.

Uma ótima pedida para quem gosta de filmes que tem como tema principal os personagens e nos brinda com diálogos interessantes e um roteiro sensível.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Três Dias do Condor

Ficha Técnica:
Três Dias do Condor (Three Days of the Condor, EUA, 1975)
Direção: Sydney Pollack
Elenco: Robert Redford, Faye Dunaway, Cliff Robertson, Max Von Sydow, John Houseman.

Hoje o cinema perdeu o diretor e ator Sydney Pollack que nos deixou filmes como "Tootsie", "Ausência de Malícia", "O Cavaleiro Elétrico" e seu maior sucesso em termos de premiação, "Entre Dois Amores" que ganhou o Oscar de melhor filme e ele de melhor diretor.

Neste "Três Dias do Condor" ele dirige seu ator preferido Robert Redford, com quem fez seis filmes e conta a história de um agente da CIA vivido por Redford, que trabalha apenas com serviço burocrático e de um hora para outra descobre que todos que trabalham em sua equipe foram assassinados. Desesperado por não ser um agente de campo, ela praticamente sequestra uma fotógrafa (Faye Dunaway) e junto tenta descobrir quem está comandando a conspiração.

Filme essencial da década de setenta, época onde o principal era a trama, que tem bom ritmo, mas sem a aceleração dos filmes atuais. Quanto ao estilo, podemos inclur o filme e o diretor Pollack numa lista com "A Trama" de Alan J. Pakula, "A Conversação" de Coppola, "Um Dia de Cão" de Sidney Lumet, entre outros ótimos suspenses/policiais de grande diretores da época.

sábado, 24 de maio de 2008

Jamaica Abaixo de Zero

Ficha Técnica:
Jamaica Abaixo de Zero (Cool Runnings, EUA, 1993)
Direção: Jon Turteltaub
Elenco: John Candy, Leon, Doug E. Doug, Rawle D. Lewis, Malik Yoba, Raymond J. Barry, Peter Outerbridge.

Estava visitando alguns blogs, quando me deparei com uma resenha sobre o filme "A Lenda do Tesouro Perdido - O Livro dos Segredos" no http://movie-junkies.blogspot.com/ da nossa amiga Isabela, filme dirigido por Jon Turteltaub e na hora me lembrei de outro filme do diretor, "Jamaica Abaixo de Zero" para ser o oposto de minha última postagem, "Nação Fast Food" que mostra muito conformismo e desesperança na sociedade. Assisitindo "Jamaica Abaixo de Zero" sentimos vontade de conquistar nossos sonhos, deixando de lado todo o pessimismo e as críticas.

O filme conta a história real de quatro atletas jamaicanos que sem reunem para montar a primeira equipe de bobsled para disputar as Olimpíadas de Inverno de 1988 em Calgary no Canadá. Totalmente desacreditados e motivo de piadas, eles conseguem contratar um ex-atleta da modalidade (o bonachão e falecido precocemente John Candy) para treina-los. O que parecia piada se torna realidade, eles conseguem montar um equipe competitiva para disputar esta corrida no gelo, mesmo treinando em um país tropical e com todas as condições adversas, inclusive a falta de material para o esporte.

No elenco os destaques são o treinador John Candy, como sempre engraçado e fazendo bem o papel do sujeito sem rumo na vida que ganha um segunda chance e principalmente Doug E. Doug no papel do desastrado e engraçadíssimo Sanka.

Esta história que poderia descambar para mais um comédia besteirol, se torna um filme ao mesmo tempo engraçado e emocionante, que com certeza deixará com um nó na garganta todos aqueles que apreciam esporte, mas principalmente passará uma lição de força de vontade e um ótimo sentimento de esperança.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Nação Fast Food

Ficha Técnica:
Nação Fast Food (Fast Food Nation, EUA, 2006)
Direção: Richard Linklater
Elenco: Greg Kinnear, Wilmer Valderrama, Catalina Sandino Moreno, Bobby Cannavale, Ana Claudia Talancon, Ashley Johnson, Paul Dano, Patricia Arquette, Luis Guzman, Esai Morales, Kris Kristofferson, Ethan Hawke, Bruce Willis, Avril Lavigne, Lou Taylor Pucci, Dana Wheeler Nicholson.

É comum serem feitos filmes que mostram a força das pessoas para mudar uma situação adversa, em conseguir justiça e que deixam uma sensação de esperança aos espectadores, mas as vezes algum diretor finca o pé na realidade e apresenta um filme como este "Nação Fast Food", em que a palavra que poderia resumi-lo seria "conformismo".

Baseado no best-seller de Eric Schlosser, que conta um história real, aqui tudo começa quando um executivo de marketing de uma grande rede lanchonetes, vivido por Greg Kinnear é escolhido pelo presidente da empresa para investigar o matadouro que fornece carne à rede, situado na pequena Cody no Colorado, em virtude de testes terem descoberto estrume na carne. Ao mesmo tempo um casal de namorados (Wilmer Valderrama e Catalina Sandino Moreno), mais a irmã desta (Ana Claudia Talancon) pagam coiotes para atravessar o deserto e entrar clandestinamente nos EUA e acabam sendo deixados também na cidade de Cody.

Este é apenas o início de um mergulho nas entranhas de toda a cadeia de uma grande rede fast food, onde vários temas interligados mostrarão a fragilidade e a corrupção, com trabalhadores clandestinos explorados em uma empresa com péssimas condições de trabalho, as lanchonetes do grupo explorando jovens e varíos outros personagens lucrando com a situação.

O tema deste filme poderia ser focado em qualquer grande corporação, que tratam seus funcionários, agregados e todos que participam dessa cadeia da mesma forma, como mercadoria visando apenas o maior lucro possível.

Dos vários nomes famosos do elenco, alguns aparecem em poucas cenas, mas com participações importantes, sendo que cada um dá a sua opinião sobre a da cidade de Cody, o matadouro, a rede lanchonetes, mas todos tem algum em comum, o conformismo com a situação. Alguns como os personagens de Kris Kristofferson e Ethan Hawke mostram que já foram rebeldes, mas desistiram de lutar para poderem sobreviver e o de Bruce Willis que conhece todos os podres da situação, mas prefere lucrar ao se preocupar em fazer o certo.

Este conformismo aparece até mesmo na cena das vacas que mesmo com a cerca cortada, preferem ficar em seu lugar no matadouro comendo sua ração do que fugir para a liberdade.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Filmes Assistidos - 51 a 60

51 – Ausência de Malícia (Absence of Malice, EUA, 1981) - Nota 7
Direção – Sydney Pollack
Elenco – Paul Newman, Sally Field, Bob Balaban, Melinda Dillon, Wilford Brimley, Barry Primus, Josef Sommer.
Um executivo (Paul Newman) lê no jornal que está sendo investigado pelo desparecimento de um sindicalista. Ele resolve confrontar a jornalista que escreveu a matéria (Sally Field) e juntos vão tentar descobrir quem está por trás das acusações. Um bom drama sobre jornalismo.

52 – Autor em Família (Author! Author!, EUA, 1982) - Nota 5
Direção – Arthur Hiller
Elenco – Al Pacino, Dyan Cannon, Tuesday Weld, Eric Gurry, Alan King.
Comédia misturada com um pouco de drama, em que Al Pacino faz um autor de teatro em crise no casamento e na vida profissional. Filme sem graça, vale apenas por Al Pacino.

53 – Uma Aventura em Oxford (Oxford Blues, EUA, 1984) - Nota 6
Direção – Robert Boris
Elenco – Rob Lowe, Ally Sheedy, Julian Sands, Amanda Pays, Michael Gough, Aubrey Morris, Gail Strickland, Cary Elwes, Bruce Payne, Peter Jason.
Um jovem americano vai estudar em Oxford e entra em conflito com os costumes ingleses, além de se apaixonar por um garota. Comédia mediana que tem como tema principal mostrar as diferenças entre ingleses e americanos.

54 – Uma Aventura na África (The African Queen, EUA, 1951) - Nota 10
Direção – John Huston
Elenco – Humphrey Bogart, Katharine Hepburn, Robert Morley, Peter Bull, Theodore Bikel.
Um dos grandes clássicos dirigidos por John Huston, conta a história de Charlie (Bogart) dono de um pequeno barco na África que precisa levar a irmã de um amigo que faleceu (Hepburn) pelo rio até a civilização durante a primeira Guerra Mundial. Porém dois problemas irão atrapalhar o percurso, as margens do rio cheias de alemães e as discussões entre os dois, que a princípio na gostam um do outro.

55 – Uma Aventura na Arábia (Arabian Adventura, Inglaterra, 1979) - Nota 7
Direção – Kevin Connor
Elenco – Christopher Lee, Milo O’Shea, Oliver Tobias, Puneet Sira, Peter Cushing, Emma Samms, Mickey Rooney, Capucine, John Ratzenberger, Art Malik.
Aventura onde uma princesa está prometida a quem conseguir encontrar a rosa mágica. Filme com bons efeitos especiais, apesar do baixo orçamento, com magia, monstros e todos os ingredientes de uma boa aventura. Este filme passou dezenas de vezes na Sessão da Tarde durante os anos oitenta.

56 – Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Littler China, EUA, 1986) - Nota 9
Direção – John Carpenter
Elenco – Kurt Russell, Kim Catrall, Kate Burton, Victor Wong, Dennis Dun, James Hong, Suzee Pai
Um grande filme pouco visto de John Carpenter, da sua melhor fase em parceria com Kurt Russell. Aqui Russell e Dennis Dun trabalham com um caminhão e tem suas namoradas sequestradas por um gangue asiática. Com isso são obrigados a procurá-las em Chinatown, mas terão de enfrentar o sobrenatural. Ótima mistura de ficção e aventura, que ainda tem como curiosidade uma jovem Kim Cattrall de "Sexy and the City" como a namorada de Russell.

57 – O Azarão do Velho Oeste (Cold Feet, EUA, 1989) - Nota 6
Direção – Robert Dornhelm
Elenco – Keith Carradine, Sally Kirkland, Tom Waits, Bill Pullman, Rip Torn, Kathleen York, Vincent Schiavelli, Jeff Brigdes.
Comédia onde um casal (Carradine e Kirkland) e um amigo (o cantor Tom Waits) resolvem apostar tudo em um cavalo dopado e acabam arrumando muita confusão. Vale pelo bom elenco, com destaque para o engraçado Waits e um pequena participação de Jeff Bridges.

58 – O Bandido da Luz Vermelha (Brasil, 1968) - Nota 8
Direção – Rogério Sganzerla
Elenco – Paulo Villaça, Helena Ignez, Sergio Hingst, Sergio Mamberti, Pagano Sobrinho, Sônia Braga, Ozualdo Candeias, Maurice Capovila, Renato Consorte.
Clássico do cinema brasileiro, baseado na história do assassino que fez várias vítimas nos anos sessenta e que carregava um lanterna em seus ataques, tem o falecido Paulo Villaça muito bem no papel principal. Com estilo inovador, o diretor Sganzerla fez um grande filme, mas não para todos os gostos.

59 – Banzé no Oeste (Blazing Saddles, EUA, 1974) - Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Gene Wilder, Mel Brooks, Cleavon Little, Madeline Kahn, Dom DeLuise, Harvey Korman, Slim Pickens, Alex Karras, David Huddleston, John Hillerman.
Apesar de hoje em dia o estilo de Mel Brooks estar desgastado, ele tem bons filmes no currículo, bem engraçados como este. Aqui ele faz uma paródia sobre o velho oeste, com destaque para o ótimo Gene Wilder no papel principal, que por sinal fez vários filmes com Brooks e o falecido ator negro Cleavon Little fazendo "o primeiro xerife negro do oeste". Muito melhor que a maioria das comédias atuais.

60 – O Barco – Inferno no Mar (Das Boot, Alemanha, 1981) - Nota 9
Direção – Wolfgang Petersen
Elenco – Jurgen Prochnow, Herbert Gronnemeyer, Klaus Wennemann, Uwe Ochsenknecht, Otto Sander.
Este ótimo filme de guerra deu fama ao diretor Wolfgang Petersen ("Tróia", "Força Aérea Um"). Com um ótimo roteiro e uma maravilhoso trabalho de câmera, além do elenco afiado, o filme se passa todo dentro de um submarino alemão durante a 2º Guerra Mundial. Os tripulantes a espera de entrar em batalha, vão ficando entediados pelo tempo que estão debaixo d'água e assim que a batalha começa, também se inicia uma crescente de tensão e claustrofobia que só pode culminar em tragédia. Um filmaço.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Alien - O Oitavo Passageiro


Ficha Técnica:
Alien - O Oitavo Passageiro (Alien, EUA, 1979)
Direção: Ridley Scott
Elenco: Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Ian Holm, Veronica Cartwright, Yaphet Kotto, Harry Dean Stanton, John Hurt.

Um grupo de pessoas reunidas em um determinado local são atacados por um ser que eles não sabem como destruir. Esta sinopse poderia ser de uma centena de filmes, sendo ambientando em uma casa, na floresta ou no espaço como neste filme. A diferença deste em relação aos demais, está em ter sido o primeiro a criar este tipo de história. Alguns podem até achar semelhanças com “Halloween” de John Carpenter, feito no ano anterior ele coloca várias pessoas de uma pequena cidade sendo atacadas por um assassino que parece ser indestrutível. O próprio Carpenter fez um filme que lembra "Alien" em 1981, chamado “O Enigma do Outro do Mundo”, refilmagem de “O Monstro do Ártico” de 1951, onde cientistas isolados em uma estação polar são atacados por um organismo assasssino, que usa as pessoas como hospedeiro, também um filmaço por sinal.

Aqui em “Alien” a nave comercial Nostromo com sete tripulantes a bordo está voltando à Terra, quando recebe um sinal vindo de um pequeno planeta desconhecido e por contrato com a corporação responsável pela expedição eles são obrigados a verificar a origem do sinal. Neste planeta eles entra em contato com um organismo desconhecido que colocará todos os tripulantes em perigo.

Esta história simples é contada de forma magistral pelo diretor Ridley Scott (“Blade Runner”), que em um ritmo de tensão crescente vai causando um clima de claustrofobia e desespero.

O elenco faz sua parte e o destaque para uma então pouco conhecida Sigourney Weaver, que já demonstra aqui muito jeito para as cenas de ação, o que ficaria bem claro nas continuações deste filme.

Para finalizar, os efeitos especiais são de primeira e o monstro é incrivelmente ameaçador, inclusive tendo sido copiado descaradamente em diversas outras produções de terror.

sábado, 17 de maio de 2008

Os Indomáveis

Ficha Técnica:
Os Indomáveis (3:10 to Yuma, EUA, 2007)
Direção: James Mangold
Elenco: Russell Crowe, Christian Bale, Logan Lerman, Ben Foster, Dallas Roberts, Peter Fonda, Vinessa Shaw, Alan Tudyk, Gretchen Mol, Luke Wilson, Kevin Durand.

O gênero faoreste apesar de não estar no gosto cinematográfico da geração atual, ainda pode render ótimos exemplares como este "Os Indomáveis", uma boa refilmagem de "Galante e Sanguinário" dirigido em 1957 pelo especialista no gênero Delmer Daves.

Nesta nova versão o diretor James Mangold ("Copland" com Stallone) mantém a qualidade do original e acerta tanto nas cenas de ação, que são várias por sinal e também nos momentos de drama, principalmentes nos diálogos entre o bandido Ben Wade (Russel Crowe) e o fazendeiro Dan Evans (Christian Bale). No original estes papéis foram interpretados por Glenn Ford e Van Heflin respectivamente.

O filme conta a história do fazendeiro deficiente e endividado Dan Evans que por um acaso está na cidade quando o bandidão Ben Wade é capturado e precisa ser escoltado até a cidade de Contention para ser colocado no trem em direção a Yuma, onde ele será julgado e enforcado. No entanto o trajeto será complicado, pois eles serão perseguidos pelo bando de Wade, liderados pelo violento Charlie Prince (Ben Foster).

Como acontece em vários faroestes clássicos, neste aqui também a parte dramática é importantíssima, mostrando as motivações de cada personagem e que todos ali tem um explicação para as atitudes e decisões que acabam tomando.

O elenco está ótimo, a dupla principal dá conta do recado e quem também se mostra cada vez melhor e se especializando em personagens fortes, muitas vezes de vilão é o jovem Ben Foster, que assim como seu papel em "Alpha Dog" ele se destaca muito. Menção honrosa também para a participação do veterano Peter Fonda como um caçador de recompensas que odeia o bandido Ben Wade. Por sinal Peter Fonda é filho do grande Henry Fonda que trabalhou em dezenas de faroestes, inclusives clássicos como "Era Uma Vez no Oeste", "Paixão dos Fortes" e "Consciências Mortas".

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Fiztcarraldo

Ficha Técnica:
Fitzcarraldo (Fitzcarraldo, Peru/Alemanha, 1982)
Direção: Werner Herzog
Elenco: Klaus Kinski, José Lewgoy, Claudia Cardinale, Miguel Angel Fuentes, Paul Hittscher, Grande Otelo, Peter Berling, Milton Nascimento.

O diretor alemão Werner Herzog tem um sólida carreira internacional desde 1972 quando fez "Aguirre - A Cólera dos Deuses" e iniciou neste também neste filme sua parceria com o ator Klaus Kinski, com quem fez cinco filmes e mais o documentário de 1999 "My Best Friend", onde ele mostra a relação de amizade e ódio entre os dois, que gerou grandes filmes e grandes brigas também.

Lembrei de "Fitzcarraldo" há pouco tempo, assim que vi outro filme de Herzog, "O Sobrevivente" com Christian Bale, um bom filme sobre prisioneiros no Laos durante a Guerra do Vietnã e que parecido com outros filmes do diretor mostra a luta da homem não só contra os inimigos, mas também contra a natureza. Nisso percebi que havia assistido apenas estes dois filmes de Herzog, uma falha que necessito consertar, pois estes dois filmes me deixaram ótima impressão.

Em "Fitzcarraldo", Klaus Kinski é Brian Sweeney Fitzgerald, chamado de Fitzcarraldo pelos nativos, ele vai para Amazônia no final do século XIX com o sonho de construir um teatro de ópera no meio da selva e para isso ele aproveita a febre do ciclo da borracha para ganhar muito dinheiro e iniciar seu projeto. Com dinheiro na mão ele resolve levar todo o material para a construção do teatro em um barco a vapor para dentro da floresta, transpondo matas e morros à custa de muitas vidas daqueles que o seguem.

As imagens da Amazônia mostradas no filme são ao mesmo tempo belíssimas e selvagens, se tornando um obstáculo gigantesco para o sonho de Fitzcarraldo. A história é basicamente sobre sonho e ambição, onde o protagonista tenta conseguir seu objetivo a qualquer custo.

Um filme diferente mas essencial, que tem como curiosidade no elenco os grandes atores brasileiros José Lewgoy e Grande Otelo, além de um participação de Milton Nascimento cantando em uma cena na ópera.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Boyz'n the Hood - Os Donos da Rua

Ficha Técnica:
Boyz'n the Hood - Os Donos da Rua (Boyz'n the Hood, EUA, 1991)
Direção: John Singleton
Elenco: Cuba Gooding Jr, Ice Cube, Laurence Fishburne, Morris Chestnut, Nia Long, Angela Bassett, Tyra Ferrell.

Este drama sobre a juventude negra num bairro pobre de Los Angeles foi a grande estréia do diretor John Singleton no cinema. Com apenas vinte e três anos de idade, mas dirigindo como um veterano, ele fez um drama violento sobre família, amizade e gangues, que mesmo dentro de uma realidade diferente lembra um pouco a temática dos filmes de Scorsese sobre a Máfia em Nova Iorque, onde os mesmos elementos são importantes.

O filme tem o personagem de Tre (Cuba Gooding Jr) como fio condutor da história. Ainda criança ele é entregue pela sua mãe Reva (Angela Bassett) ao pai Furious Styles (Laurence Fishburne) com a desculpa de que ela não teria condições de criá-lo. O pai faz de tudo para o filho seguir o caminho correto mostrando valores éticos e morais, mesmo vivendo em um bairro pobre e violento como South Central.

Depois de alguns anos, já quase um adulto ele tem como amigos os meio-irmãos Ricky Baker (Morris Chestnut) que joga futebol americano e sonha em se profissionalizar e Doughboy (Ice Cube) que vive desocupado e se sente excluído pela mãe que prefere o filho atleta, o que será um estopim para Doughboy se meter em confusão e acabar arrastando os amigos.

Provavelmente este tenha sido o primeiro filme a mostrar de forma humana o drama de pessoas comuns da comunidade negra americana que vivem em bairros pobres e violentos como South Central e a sua dificuldade para viver em meio a luta entre gangues de traficantes e policiais. Lembra muito também a vida nos bairros violentos de periferia no Brasil.

domingo, 11 de maio de 2008

Os Gritos do Silêncio

Ficha Técnica:
Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields, EUA, 1984)
Direção: Roland Joffé
Elenco: Sam Waterston, Haing S. Ngor, John Malkovich, Julian Sands, Craig T. Nelson, Spalding Gray, Bill Paterson.

Existem vários filmes que quando estão em evidência queremos assistir, mas por diversos motivos acabamos deixando passar e as vezes demoramos anos para assisti-lo. No meu caso este "Os Gritos do Silêncio" é um exemplo. Lançado em 1984 e naquele época ainda com a censura de 18 anos para muitos filmes, eu não tinha idade para vê-lo no cinema, mas depois de algum tempo com a explosão do vídeo passei por ele inúmeras vezes na locadora e só agora, mais de 20 anos depois é que fui conferir.

Este drama sobre guerra e perseverença é baseado na história do jornalista do New York Times Sydney Schanberg (Sam Waterston da série "Law and Order") que no início dos anos setenta foi cobrir a Guerra do Vietnã no Cambodja e descobriu que os americanos estavam usando este país apenas como instrumento político com o pretexto de defendê-lo dos comunistas, mas na realidade estavam atacando o interior do país numa guerra clandestina contra os rebeldes do Khmer Vermelho, liderados pelo sanguinário e futuro ditador Pol Pot.

Durante sua estada no país ele faz grande amizade com o intéprete Dith Pran (Haing S. Ngor) e junto com o fotógrafo Rockoff (John Malkovich) e o reporter inglês Jon Swain (Julian Sands) passam maus bocados quando a capital do país é tomada pelos rebeldes de modo violento e estes obrigam os nativos do país a sairem da capital a pé.

O filme concorreu a 7 prêmios Oscar e ganhou 3, de Edição, Fotografia para o aclamado Chris Menges e o mais signficativo de Ator Coadjuvante para Haing S. Ngor, não só pela representação deste, mas também pela sua história real. Nascido no Cambodja ele passou por sofrimento parecido a que seu personagem no filme. Quando o Khmer Vermelho tomou o poder ele era médico e precisou esconder sua profissão e seu estudo, pois isto era visto como ameaça e com certeza ele seria executado, assim como sua mulher havia sido. Durante anos ele viveu quase como um escravo até que conseguiu fugir para os EUA. Apesar de nunca ter sido ator, mas pelo histórico de vida ele foi escolhido pelo diretor Roland Joffé para o papel. Outra nota triste sobre Ngor, foi que ele passou por tanto sofrimento em uma guerra e depois morando nos EUA e trabalhando como ator, foi assassinado na porta de sua casa em um assalto em 1988.

O diretor Joffé era documentarista e por isso seus filmes falam sobre temas universais e verdadeiros, ele que concorreu a Oscar por este filme e por "A Missão" que falava sobre a catequização de índios na América por missionários, estrelado por Robert DeNiro e Jeremy Irons. Fez ainda o ótimo "O Início do Fim" sobre a o Projeto Manhattan que terminou com o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki e "Cidade da Esperança" com Patrick Swayze, sobre um médico trabalhando na Índia com pobres.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Filmes Assistidos - 41 a 50

41 – À Sombra do Vulcão (Under the Volcano, EUA, 1984) - Nota 6
Direção – John Huston
Elenco – Albert Finney, Jacqueline Bisset, Anthony Andrews, Katy Jurado, James Viliers.
Drama sobre ex-cônsul britânico (Albert Finney) que vive no México e se transforma em alcoólatra após a traição da esposa (Jacqueline Bisset) com seu meio-irmão (Anthony Andrews). Apesar do grande diretor e do bom elenco, o filme é apenas mediano.

42 – Aspen – Dinheiro, Sedução e Perigo (Aspen Extreme, EUA, 1993) - Nota 5
Direção – Patrick Harsburg
Elenco – Paul Gross, Peter Berg, Finola Hughes, Teri Polo, William Russ, Trevor Eve, Martin Kemp, William McNamara, Stewart Finlay McLennan.
Dois amigos (Paul Gross e Peter Berg) largam seus empregos e resolvem se tornar instrutores de esqui na neve em Aspen, Colorado. Nesse paraíso de ricos e famosos eles acabam tendo como desafio manter a amizade, num lugar onde o dinheiro compra tudo. A história é batida, mas o filme tem boas cenas de esqui na neve.

43 – Um Assaltante Bem Trapalhão (Take the Money and Run, EUA, 1969) - Nota 8
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Janet Margolin, James Anderson, Louise Lasser.
Este é o segundo filme dirigido por Woody Allen, que conta um falso documentário sobre a vida de um atrapalhado ladrão de bancos (o próprio Allen), que mostra desde a infância até sua prisão. Um filme leve e engraçado.

44 – Assalto ao Trem Pagador (Brasil, 1962) - Nota 9
Direção – Roberto Farias
Elenco – Reginaldo Faria, Grande Otelo, Eliezer Gomes, Jorge Dória, Ruth de Souza, Luiza Maranhão, Helena Ignez, Átila Iório, Dirce Migliaccio, Osvldo Louzada.
Este clássico do cinema brasileiro é baseado na história real do assalto ao trem pagador da Central do Brasil no Rio de Janeiro em 1960. Realizado pelo bando de Tião Medonho (Eliezer Gomes), eles combinam gastar o mínimo possível de dinheiro para não levantar suspeitas, mas as coisas se complicam quando o líder se desentende com seu comparsa Grilo Peru (Reginaldo Farias) e outro integrante do bando Cachaça (Grande Otelo) começa a falar demais. Filmaço que não deve nada aos grandes filmes sobre assaltos realizados em Hollywood.

45 – Assassinato em Amsterdam (The Amsterdam Kill, EUA, 1977) - Nota 6
Direção – Robert Clouse
Elenco – Robert Mitchum, Bradford Dillman, Leslie Nielsen, Richard Egan.
Filme de espionagem apenas razoável, comandado pelo diretor de "Operação de Dragão", com um elenco de astros veteranos, inclusive o ótimo Robert Mitchum.

46 – Assassinato em Primeiro Grau (Murder in the First, EUA, 1995) - Nota 8
Direção – Marc Rocco
Elenco – Kevin Bacon, Christian Slater, Gary Oldman, Embeth Davidtz, William H. Macy, Stephen Tobolowski, Brad Dourif, R. Lee Ermey, Mia Kirshner, Kyra Sedgwick.
Este bom drama sobre justiça conta a história de um jovem (Kevin Bacon) que é preso por roubar uns trocados. Na cadeia ele tenta fugir, mas é capturado e jogado na solitária. Quando é libertado após alguns anos, ele é defendido por um advogado idealista (Christian Slater), que tenta provar as torturas executadas a mando diretor da prisão (um sádico Gary Oldman).

47 – Assassino à Preço Fixo (The Mechanic, EUA, 1972) - Nota 8
Direção – Michael Winner
Elenco – Charles Bronson, Jan Michael Vincent, Keenan Wynn, Jill Ireland.
Um dos bons filmes da dupla Bronson/Winner. Aqui Bronson é um assassino profissional que trabalha para uma organização criminosa. Um dia ele recebe a missão de matar um amigo e após cumpri-la, se aproxima do filho deste (Jan Michael Vincent) e começa a lhe ensinar seu ofício. O filme tem assassinatos interessantes e um final surpresa.

48 – Atentado no Alabama (Morgen in Alabama, Alemanha, 1984) - Nota 7
Direção – Norbert Kuckelmann
Elenco – Maximilian Schell, Lena Stolze, Robert Aldini, Wolfgang Kieling.
Drama sobre o aparecimento de grupos neo-facistas na Alemanha que vão a julgamento. Ótimo papel de Maximilian Schell como um advogado.

49 – Atlantic City (Atlantic City, EUA, 1980) - Nota 7
Direção – Louis Malle
Elenco – Burt Lancaster, Susan Sarandon, Kate Reid, Michel Piccoli, Robert Joy, Hollis McLaren, Robert Goulet, Al Waxman, Wallace Shawn.
Bom drama do diretor francês Louis Malle sobre personagens decadentes que tentam ganhar a vida em Atlantic City, mostrando o lado mais triste e real das pessoas que vivem em torno do jogo e dos Cassinos. Ótimas interpretações do veterano astro Lancaster e de Susan Sarandon.

50 – A um Passo da Eternidade (From Here to Eternity, EUA, 1953) - Nota 10
Direção – Fred Zinnemann
Elenco – Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Donna Reed, Frank Sinatra, Ernest Borgnine, Jack Warden.
Clássico absoluto reunindo um elenco de primeira para contar a história dos ataques japoneses à base militar de Pearl Harbor no Havaí durante a Segunda Guerra Mundial. Destaque para atuação de Montgmery Clifft e para a cena de beijo na praia entre Lancaster e Deborah Kerr.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Faça a Coisa Certa

Ficha Técnica:
Faça a Coisa Certa (Do the Right Thing, EUA, 1989)
Direção: Spike Lee
Elenco: Spike Lee, Danny Aiello, Ossie Davis, Ruby Dee, John Turturro, Richard Edson, Giancarlo Esposito, Bill Nunn, Paul Benjamin, Frank Faison, Joie Lee, Robin Harris, Miguel Sandoval, Rick Aiello, John Savage, Samuel L. Jackson, Rosie Perez, Roger Guenveur Smith, Martin Lawrence, Frank Vincent.

Quase vinte anos depois, o primeiro grande sucesso do diretor Spike Lee já é quase um clássico. Na época o filme foi criticado por alguns em virtude de mostrar os negros como vítimas que resolvem reagir com violência e por essa atitude Lee foi acusado de utilizar as mesmas desculpas de um branco racista quando usa a violência. Com o tempo ele foi demonstrando talento e deixando as polêmicas apenas como um tempero em sua filmografia.

Este filme se passa no verão de 1989 considerado um dos mais quentes da história de Nova Iorque, especificamente no bairro do Brooklin, onde a mistura de etnias e preconceitos junto com o calor infernal acaba sendo o estopim para a explosão de uma onda de violência.

O próprio Lee faz o papel principal interpretando o entregador de pizzas Mookie, que trabalha na pizzaria do italiano Sal (Danny Aiello) que é auxiliado pelos filhos Pino (um esquentado John Turturro) e Vito (Richard Edson). O personagem de Lee consegue se equilibrar entre conviver bem com os negros em sua comunidade e o trabalho na pizzaria do brancos, mas tudo muda quando o negro Buggin'Out (Giancarlo Esposito) entra na pizzaria e começa a reclamar com Sal que na parede do estabelecimento não tem foto de nenhum negro famoso, apenas de ítalo-americanos como Sylvester Stallone e Robert DeNiro. Depois de tanto reclamar ele consegue o apoio de outro negro, Radio Raheem (o grandalhão Bill Nunn) e durante o protesto a polícia é chamada dando início a um conflito racial que terminará em tragédia.

Os pontos altos do filme são o elenco recheado de bons atores como John Turturro, Danny Aiello e Giancarlo Esposito e muitos ainda pouco conhecidos na época, fazendo pequenos papéis como Samuel L. Jackson e Martin Lawrence, além da ótima trilha sonora de rap do conjunto Public Enemy especialista em músicas negras de protesto, com o clássico "Fight the Power" que é a cara do filme.

Apesar do exagero de Lee em algumas idéias sobre racismo, o filme é bom e vale a pena ser assistido, pelo tema ainda muito atual e também por ele ser muito parecido com o que aconteceu na vida real em Los Angeles 1991, quando o negro Rodney King foi espancado por policiais, fato este que acabou gerando uma reação violenta dos negros da cidade, em uma proporção muito maior do que a mostrada neste filme.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O Agente da Estação

Ficha Técnica:
O Agente da Estação (The Station Agent)
Direção: Thomas McCarthy
Elenco: Peter Dinklage, Patricia Clarkson, Bobby Cannavale, Michelle Williams, John Slattery, Richard Kind, Paul Benjamin, Raven Goodwin, Paula Garces.

Este filme é uma das pequenas pérolas que o cinema independente nos apresenta a cada ano. Com personagens diferentes dos que estamos acostumados nas grandes produções e muito próximos da realidade, somos apresentados a um história que se desenvolve com a calmaria do local em que se passa e nos cativa pelas pequenas situações e sentimentos que estes personagens nos passam.

Aqui o anão Finbar "Finn" McBride (Peter Dinklage) trabalha em uma oficina especializada em consertos de trens de brinquedo e é apaixonado por eles. Tudo mudo quando o dono do local, seu único amigo, morre e deixa de herança uma estação de trem abandonada no interior. Chegando lá ele vê a estação como o local que procurava, misturando sua paixão por trens e seu desejo de isolamento, em virtude de estar cansado das piadas e dos olhares das pessoas por causa do seu tamanho. Porém no local ele chama a atenção do vendedor de cachorro-quentes Joe Oramas (Bobby Cannavale) um cara de bom coração que faz de tudo para se seu amigo e da atrapalhada artista Olivia Harris (Patricia Clarkson).

Estes relacionamentos forçados pelo destino tentarão romper a barreira que o anão criou para se afastar de todos e viver em seu mundo. Os pequenos acontecimentos são tratados de forma delicada e sincera, de modo a criar um clima extremamente simpático aos personagens, de uma maneira simples mais eficaz.

Destaque para o elenco que encarna bem os personagens nada convencionais e principalmente para o anão Dinklege (da extinta série "Treshold") que passa todo o sentimento de alguém diferente da maioria, mas que gostaria de ser visto e tratado como alguém comum e o quanto isso atrapalha sua vida.

Um pequeno grande filme a ser visto por todos.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

12 Horas Até o Amanhecer

Ficha Técnica:
12 Horas Até o Amanhecer (Journey to the End of the Night, EUA/Brasil/Alemanha, 2006)
Direção: Eric Eason
Elenco: Brendan Fraser, Mos Def, Scott Glenn, Catalina Sandino Moreno, Matheus Nachtergaele, Alice Braga, Milhem Cortaz.

Este é o tipo de filme que muitos brasileiros utilizam para vestir a carapuça de patriotas, dizendo que os estrangeiros de países do primeiro mundo e principalmente americanos vêem o Brasil como um lugar de ladrões e prostitutas, mostrando em seus filmes apenas o que nós temos de pior. Até concordo em parte, que muitos americanos e europeus nada sabem sobre o Brasil, mas nosso povo também sabe muito pouco sobre os outros países.

Neste filme o diretor independente Eric Eason veio ao Brasil e rodou todo o longo em São Paulo, sendo grande parte na famosa e decadente "Boca do Lixo" situada na região central da capital, local adequado para a roteiro sobre drogas e prostituição.

O filme conta a história de Sinatra (Scott Glenn) e seu filho Paul (Brendan Fraser) que são donos de um bordel e por acaso ficam com uma mala cheia de drogas, com isso eles visualizam uma chance de ganhar muito dinheiro, cada um com plano diferente em mente. Para vender a droga eles vão precisar da ajuda do nigeriano Wemba (Mos Def) e durante esta noite irão se deparar com outros personagens que mudarão suas vidas.

Este tipo de história já foi filmado dezenas de vezes por Hollywood, o interessante aqui está no bom elenco que tem ainda Matheus Nachtergaele vivendo um travesti, papel muito importante na trama, as ótimas Alice Braga e a colombiana Catalina Sandino Moreno (indicada ao Oscar por "Maria Cheia de Graça"), além de uma pequena participação de Milhem Cortaz (o Capitão Fábio de "Tropa de Elite) como uma capanga.

Além disso vale a curiosidade de ver vários pontos de São Paulo, quem mora por aqui vai reconhecer logo e deve levar em conta que o roteiro não tenta denegrir a cidade, ele apenas conta uma história que poderia ter sido filmada em qualquer outra cidade da America Latina, da África ou em Los Angeles.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Skinheads - A Força Branca e A Outra História Americana



A Outra História Americana (American History X, EUA, 1998) - Nota 8,5
Direção: Tony Kaye
Elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Avery Brooks, Beverly D'Angelo, Fairuza Balk, Jennifer Lien, Elliott Gould, Ethan Suplee, Stacy Keach, William Russ.

Skinheads - A Força Branca (Romper Stomper, Austrália, 1992) - Nota 8
Direção: Geoffrey Wright
Elenco: Russell Crowe, Daniel Pollock, Jacqueline McKenzie.

Infelizmente, o tema do neonazismo continua bem atual. Apesar da 2º Guerra ter acabado há mais de sessenta anos, alguns ideais do nazismo não morreram junto com Hitler. Nestes dois bons filmes que irei comentar este é o tema principal.

Em "Skinheads - A Força Branca" a história se passa na Austrália, onde um bando de jovens neonazistas liderados por um na época desconhecido Russell Crowe, se reúne para atacar estrangeiros, principalmente orientais e descendentes que são vistos por eles como invasores que estão roubando seu país. As coisas mudam e caminham para um desfecho trágico quando Hando (Crowe), o líder do bando, percebe que sua namorada Gabe (Jacqueline McKenzie) está envolvida com seu braço direito no bando, Davey (Daniel Pollock). É um filme violento e realista, que mostra como o problema da xenofobia aumenta cada vez mais, principalmente se alimentando da pobreza e da falta de perspectivas que acaba levando muitos indivíduos a escolherem o caminho do ódio.

Já "A Outra História Americana", apesar de utilizar o mesmo tema, tem uma abordagem diferente mostrando a história de Derek Vinyard (o ótimo Edward Norton), um neonazista que sai da prisão com a cabeça mudada, arrependido das atitudes que o levaram à cadeia. Porém sua volta será mais difícil do que imaginava, ele terá de cuidar do irmão menor (Edward Furlong) que o vê como uma espécie de herói e segue seus mesmos passos, além de enfrentar os amigos de gangue e o líder (Stacy Keach) que desejam sua volta ao grupo. O diretor usa espertamente do preto e branco nos flashbacks para mostrar os atos de que Derek se arrepende e o porquê dele ter seguido este caminho. É um filme imperdível.

Uma curiosidade quanto aos diretores, Geoffrey Wright que fez "Skinheads" não conseguiu emplacar mais nada, tendo feito em Hollywood o péssimo "Medo em Cherry Falls". Já a história de Tony Kaye é outra, ele veio do mundo da propaganda para fazer "A Outra História Americana" e durante a montagem entrou em conflito com os produtores que achavam o filme muito pesado e queriam modificar inclusive o final. Ele não aceitou e foi criado um impasse que chegou as tribunais. Mesmo assim, ele conseguiu lançar sua versão nos cinemas, mas acabou fechando muitas portas em Hollywood. Apenas agora em 2008 ele tem um novo filme em pós-produção para ser lançado chamado "Black Water Transit".